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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Publicidade para Crianças - Uma concepção de educação em jogo

* Matéria do site Observatório da Imprensa, enviada por Marilda Duarte. Confira aqui.

Semana passada escrevi – em artigo encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo – sobre o caso da escola em São Caetano (SP) que promove viagens de uma agência para a Disney (matéria e artigo estão disponíveis aqui). No artigo, afirmo que o que está em jogo, quando uma escola cede aos apelos da publicidade, é uma concepção de educação.

A serviço de que está a formação dos indivíduos na contemporaneidade? Estaria ela voltada para o desenvolvimento e para o crescimento? Ou estudamos para sermos bem-sucedidos no mercado de trabalho? Ou será que somos educados para sermos cidadãos e vivermos com dignidade e em sociedade? Ou ainda, hoje em dia, formam-se bons consumidores?

Em 2009, neste Observatório, alertei para a entrada sorrateira da publicidade nas escolas através dos professores (ver "A privatização subjetiva dos espaços educativos") como uma forma de privatização (ou mercantilização) subjetiva do espaço escolar e do saber transmitido pela escola.

Formação cada vez mais restrita
Este novo caso mostra que, aos poucos, as mídias e a publicidade adentram o espaço escolar sem qualquer discussão sobre a regulação destas atividades. Em geral, elas representam estratégias de mercado e sua adesão fica a cargo do julgamento particular do(a) diretor(a) da escola ou mesmo de um gestor.

Cabe ressaltar que os alunos não são seres passivos e que negociam necessariamente com as informações que lhes são passadas. Cabe ainda ressaltar que, em uma escola privada, esta questão é ainda mais delicada, pois não podemos entrar em julgamento de valor sobre a educação que cada família resolveu dar aos seus filhos. Na rede pública, caberiam mais questionamentos. Mas isso não quer dizer que na educação privada vale tudo.

Mas, ainda que façamos ressalvas, é preciso que entendamos – e discutamos – que está em jogo uma concepção de educação de forma mais ampla. Está em questão a formação dos indivíduos na modernidade. Uma formação que atende, cada vez mais, aos apelos do mercado, a demandas de empresas e – em especial – às demandas do campo da comunicação, que exige uma escola antenada, moderna, ligada em seu tempo.

Esta formação é, portanto, cada vez menos humana, em seu sentido mais amplo. E atende cada vez menos ao interesse público. É cada vez mais restrita, ao formar indivíduos para uma lógica específica e não para o desenvolvimento de múltiplas possibilidades e trajetórias. Por que formar consumidores, e não indivíduos leitores, reflexivos, críticos, produtores de conhecimento, artistas, investigadores, sonhadores ou lúdicos?

A dimensão dos danos
Os ideais da modernidade têm empurrado as mídias – e agora a publicidade – para dentro das escolas de forma dócil (sem parecer que se trata de um tipo de violência) e desregulada que, certamente, causa efeitos ainda sem possibilidades de mensuração, tanto no ambiente e na comunidade escolar, quanto nas crianças ali socializadas.

A matéria da Folha que relata o caso aponta uma série de efeitos imediatos nestes jovens, mas ainda é cedo para saber que tipo de reverberações este tipo de estratégia de mercado terá na vida de cada criança e na história da educação.

Este episódio nos chama atenção para uma das grandes questões no campo da comunicação na atualidade: a perversidade da publicidade voltada para crianças. Se quando ela é veiculada na televisão já tem um enorme potencial, imaginemos quando ela é veiculada na escola, lugar onde a criança encontra confiança, segurança e referências para a sua vida? Os danos, certamente, têm outra dimensão.

Fonte:
Observatório da Imprensa
27.04.2010
Por Michelle Prazeres

Enviado por:
Marilda Duarte
www.textoseideias.com.br
Celular 11 8259 9733

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Dica de Leitura - Nascidos para Comprar (Juliet B. Schor )

* Sugestão de Marilda Duarte, do site Americanas.com

Características
Título: Nascidos para Comprar
Título Original: Born to Buy
Subtítulo: Leitura Essencial para Orientarmos Nossas Crianças na Era do Consumismo, Uma
Autor:
Schor, Juliet B.
Editora: Gente
Assunto: Educacao
ISBN: 9788573125702
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 344

Nascidos para Comprar (Resenha)

O livro Nascidos para comprar faz uma análise contundente de como a propaganda e o marketing infantil da atualidade influenciam as crianças utilizando estratégias não sempre transparentes para convencê-las de que os produtos são necessários para a sua sobrevivência social. Na verdade, a propaganda vende não apenas o produto, mas também a imagem que as crianças fazem de si mesmas e de como se sentem ao consumi-lo.

O livro disseca a lógica da propaganda procurando tirar conclusões a partir de duas pesquisas primárias: uma investigação qualitativa sobre anúncios e comerciais para crianças e uma avaliação do impacto da cultura do consumo nas crianças, com reflexos em sentimentos como depressão, autoestima, ansiedade e qualidade da relação com os pais.

Nascidos para comprar é leitura obrigatória para todos aqueles que se sentem responsáveis pela construção de uma nova sociedade que será fruto da saúde mental e emocional e do poder de consumo das crianças atuais.

Enviado por:
Marilda Duarte
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Celular 11 8259 9733

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Empresas investem em serviços educativos

* Matéria do Estadão, enviada por Marilda Duarte.

Elas incentivam a troca de livro usado e oferecem conteúdos para pais e filhos; especialistas alertam para marketing

Mariana Mandelli

Empresas aproveitaram a volta às aulas para criar serviços ligados à educação ou divulgar ferramentas bem-sucedidas na internet. Com jogos interativos, cores vivas, personagens lúdicos, conteúdos educativos e animações, elas atraem pais e filhos para os seus sites. As empresas afirmam que não fazem publicidade infantil, mas especialistas alertam para o marketing inserido nas brincadeiras.

A PepsiCo, fabricante do Toddynho, tem o projeto Volta às Aulas Consciente, que incentiva entre os pais a troca de livros usados. Quem entra no site encontra, além do projeto, jogos para crianças. "Não consideramos o site uma ferramenta de publicidade infantil porque seu conteúdo é dirigido aos pais, para que eles discutam e interajam com seus filhos", afirma Alexandre Salvador, gerente de marketing da marca Toddynho.

A Faber-Castell também tem conteúdo virtual voltado para educação. O Clubinho Faber-Castell, com 90 mil acessos no ano passado, tem como público-alvo professores e pais. A página apresenta links para jogos ao lado dos produtos. "A construção do Clubinho e seus espaços foi feita com o objetivo de oferecer às crianças conteúdo com diversão e não para fazer propaganda dos nossos produtos", afirma a gerente de serviços a marketing, Elaine Mandado.

Em alguns sites, os anúncios são mais explícitos. O Mais Divertido, da Nestlé, teve 3 milhões de acessos só em 2009. Ao lado das opções de atividades, o internauta encontra o anúncio "Conheça os sites das marcas Nestlé", que mostra produtos, como biscoitos e cereais. A empresa afirma que segue "as rigorosas diretrizes globais da Nestlé para comunicação dirigida a crianças" e que somente crianças acima dos 6 anos podem se cadastrar para brincar.

Contrárias à ideia de que fazem publicidade, as empresas argumentam que seus sites são para os pais e que oferecem conteúdos didáticos e educativos. "A Danone toma cuidado desde o início do processo de elaboração do conteúdo do site, com responsabilidade na linguagem, dentro de conceitos pedagógicos com os melhores especialistas em educação e nutrição", afirma Rodrigo Chaimovich, gerente de grupo de marcas.

A justificativa da Unilever, que produz o suco Ades e tem o portal Nutrikids, segue a mesma linha. A empresa diz que a marca quer despertar, de forma lúdica, crianças, pais e educadores para causas como a reciclagem.
Consumo. Apesar de ter apenas 2 anos, Matheus já navega em sites de jogos. Mas com restrições: sua mãe, a advogada Gisele Moana, de 32 anos, só permite páginas com conteúdo que ela aprova. "Não deixo o Matheus ver sites de fast food, porque, se ele achar que os joguinhos são divertidos, vai pensar que a comida faz bem", afirma.

Para os especialistas, as empresas fazem sim propaganda infantil. "Afirmar que o site é para os pais é jogar a responsabilidade para eles", afirma Isabella Henriques, do Instituto Alana.

A psicoterapeuta infantil Ana Olmos afirma que as crianças não diferenciam propaganda de diversão. "Elas são o mercado consumidor futuro e as empresas, especialmente do ramo alimentício, querem consolidar suas marcas na memória delas desde cedo."

Fonte:
Estadao.com.br
14 de março de 2010 | 0h 00

Enviado por:
Marilda Duarte
www.textoseideias.com.br
Celular 11 8259 9733

terça-feira, 13 de abril de 2010

Inovação na escola será tema de Congresso em SP

* Matéria do Estadão, enviada por Marilda Duarte.

Cerca de 60 palestrantes do Brasil e exterior participam do evento, que inclui Feira

Paulo Saldaña - Especial para o Estadão.edu
Como inovar na educação? Essa é uma pergunta que cerca de 60 palestrantes do Brasil e exterior tentarão responder no 17º Congresso Internacional de Educação, que ocorre entre os dias 12 e 15 de maio em São Paulo. Considerado um dos maiores eventos educacionais do País, o Congresso se propõe a debater neste ano alguns dos desafios enfrentados nas escolas neste novo milênio: o uso da tecnologia, inclusão digital, ferramentas como jogos, a avaliação de competências e tantos outros temas ainda estranhos à maioria das instituições.

Serão mais de 60 encontros, entre conferências e debates, cuja proposta central é "os limites e horizontes da inovação". Direcionado a educadores e profissionais da educação, haverá mesas temáricas sobre conteúdos programáticos, formação de professores e gestão escolar.

TV Estadão: Quais são os desafios para aliar tecnologia à educação?

"Procuramos montar uma programação que alie a questão prática a uma visão de encantamento, sem a qual é impossível fazer uma escola", afirma um dos coordenadores do congresso, Marcos Mello. Em estimativa preliminar, calcula-se que o congresso receba entre 2 mil a 4 mil vistantes. "É um evento que visa receber desde o dono de escola ao profissional do meio acadêmico, o que será estimulante para todos." Paralelo aos encontros, ocorre a Feira Educar, que contará com cerca de 60 empresas expositoras de produtos e serviços.

O novo modelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), terror dos vestibulandos em 2009, ganhará um debate - educadoras de peso compõe a mesa, como a ex-relatorea das diretrizes nacionais do ensino médio Guiomar Namo de Mello e a ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo Maria Helena Guimarães.

Mello chama a atenção para as palestras de dois europeus: o francês Marc Giget, fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e de Inovação e considerado o maior especialista no assunto na Europa, e o finlandês Reijo Laukkanen, membro do Conselho Nacional de Educação da Finlândia. Laukkanen contará, entre outras coisas, porque seu país tem o mais invejado sistema educacional do mundo.

Por enquanto, os estrangeiros não estão entre os palestrantes mais procurados. Os campeões de inscrições até agora são o téncico de volley Bernardinho e o ex-secretário da Educação e escritor de vários best-sellers, vereador Gabriel Chalita. Informações e inscrições pelo telefone (41) 3033-8100 ou pelo site http://www.educador.com.br/.

Fonte:
Estadao.com.br
09 de abril de 2010 | 11h 45


Sugestão de site

* Sugestão de Marila Duarte.

"Amigos, bom dia.

Eu gostaria de indicar o site www.educarparacrescer.com.br para que vocês pudessem navegar um pouco. O site tem informações para vários níveis de internauta."

Marilda Duarte
www.textoseideias.com.br
Celular 11 8259 9733

quinta-feira, 25 de março de 2010

Representação ao Ministério Público de SP - Baby TV

Comunicado do Projeto Criança e Consumo (Instituto Alana), enviado por Tamara Gonçalves.

Prezados parceiros:

Escrevo para compartilhar com a Rede uma denúncia que fizemos recentemente.

No final do ano passado, o Projeto Criança e Consumo encaminhou notificação à empresa Fox, contestando a forma como vinha anunciando a programação "Baby TV".

Segundo o site e vinhetas, esta seria uma programação especialmente preparada para promover o desenvolvimento de crianças de 0 a 3 anos de idade. Após muito estudarmos o assunto, pudemos concluir que não existem estudos científicos confirmando que assistir à TV antes dos 3 anos de idade possa promover o aprendizado ou o desenvolvimento infantil. Muito ao contrário, há pesquisas que apontam para os malefícios desta exposição precoce à mídia.

Tendo este contexto em vista e o fato de a empresa não ter respondido à notificação encaminhada pelo Projeto Criança e Consumo, foi feita uma Representação perante o Ministério Público de São Paulo.

Para conhecerem o material encaminhado à empresa e ao Ministério Público ou mesmo para acompanharem os andamentos do caso, basta acessar: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx?v=1&id=143


Tamara Gonçalves
Projeto Criança e Consumo - Instituto Alana
Tel: +55 11 3472-1608
tamara@alana.org.br

sexta-feira, 19 de março de 2010

Programa Bebê Clínica Especial é lançado no Mato Grosso

* Confira matéria na página original: Folha de Várzea Grande.

Na manhã desta sexta feira (19), foi inaugurado o programa Bebê Clínica Especial, que tem como objetivo garantir a saúde preventiva odontológica, em crianças que nascem com problemas especiais. A inauguração foi feita pelo secretario de Estado de Saúde de Mato Grosso, Augustinho Moro, no Centro Estadual de Odontologia para Pacientes Especiais (Ceope).

O secretario explicou que “o projeto é uma ação de saúde inclusiva e tem como objetivo oferecer atendimento odontológico a crianças com deficiências, de zero a cinco anos, buscando prevenir os problemas bucais mais comuns na infância, para não agravar as doenças sistêmicas desses pacientes com necessidades especiais”.

“Os benefícios para as crianças com necessidades especiais serão, além do diagnóstico de possíveis lesões, o tratamento odontológico com profissionais especialistas na área da Odontologia e a manutenção de um programa de saúde bucal”, informou a diretora do Ceope, Daniely Beatrice do Lago. Já foram contatadas 80 crianças nessa faixa etária, do total de 130 que serão atendidas na primeira edição do Bebê Clínica Especial.

A coordenadora do projeto, Diuriane França, explicou como surgiu o Bebê Clinica Especial revelando que a equipe do Ceope, começou a montar o projeto em 2007, conseguindo a parceria logística da Fundação de Amparo a Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat).

A diretora técnica administrativa e financeira da Fapemat, Solange Barros, afirmou a Fundação estava orgulhosa de ter apoiado o projeto Bebê Clinica. “Esta é uma pequena iniciativa, mas precisamos entender que é com pequenas iniciativas que se muda a sociedade. O projeto certamente vai trazer mais dignidade e qualidade de vida para essas crianças com necessidades especiais e a Fapemat tem todo o orgulho de ter participado desse projeto”, disse a Diretora.

O deputado federal, Wellington Fagundes, também presente à solenidade, afirmou estar muito orgulhoso de participar da inauguração, em vista do seu interesse na saúde do estado, enquanto parlamentar. Ele prometeu alocar recursos, no Congresso Nacional, para permitir a construção de uma nova sede para o Ceope.

Na mesma ocasião o secretário, Augustinho Moro, se comprometeu a, antes de deixar a pasta da Saúde, alocar o terreno onde será construída a nova sede. "O Ceope, desde a sua inauguração, no dia 26 de julho de 2005, meu primeiro ato de gestão na Pasta da Saúde, me deu muito orgulho, pois é uma unidade de Saúde que atende pessoas especiais. Preste a deixar a Pasta, inauguro também no Ceope, mais um serviço que irá beneficiar milhares de mato-grossenses que nasceram com algum tipo de necessidade especial. Projetos de inclusão social trazem relevantes e imensuráveis benefícios a esse público específico, onde o Governo do Estado tem como uma das metas da Saúde, a promoção de políticas públicas a pessoas com necessidades especiais. Essas políticas são demonstradas nos serviços que o Ceope presta, o do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa (Cridac), e ainda das especialidades médicas do Centro Estadual de Referencia de Média e Alta Complexidade (Cermac). Na saúde pública de Mato Grosso, os serviços são dimensionados, com prestação de serviço de qualidade e a importância dada a eles é de acordo com suas necessidades. Frente a Pasta da Saúde, cada vez estamos interiorizando mais as ações e os serviços e implementando os que já estão instalados, para promover qualidade de vida aos cidadãos mato-grossenses”, disse Augustinho Moro.

Os funcionários do Ceope aproveitaram a inauguração do projeto Bebê Clínica Especial, para homenagear o secretário Augustinho Moro com uma placa especial com os dizeres: “Os servidores do CEOPE, no uso de suas atribuições, resolvem homenagear AUGUSTINHO MORO, brasileiro, nascido em 9 de maio de 1965, em São Jorge D’Oeste/ PR, pela competência, comprometimento e êxito em sua brilhante jornada frente a Secretaria de Estado de Saúde/MT e, em especial, pela atenção dispensada a este Centro e aos seus pacientes, ao longo desses 4 anos e 7 meses. Cuiabá/MT, 19 de março de 2010”.

Antes da solenidade de inauguração, uma das participantes do projeto, Marla Fagundes, apresentou o menino Renan Felipe Gonçalves Ferreira, de 4 anos, como uma criança com o perfil de inclusão no Bebê Clinica Especial.

A mãe de Renan, Rosilene Gonçalves Ferreira, contou que seu filho sofre de Artogricose, umadoença que provoca problemas nas articulações, enfraquecendo seus nervos motores e tornando impossível a realização de movimentos nos membros superiores e/ou inferiores.

“Quando essas crianças, que podem receber tratamento do nascimento até os cinco anos deidade, recebem os cuidados necessários, como o caso do Renan, podemos prevenir não apenas problemas bucais, na primeira infância, mas também outras doenças. Por isso o Bebê Clínica Especial é um novo conceito em odontologia e um novo modelo de atendimento, a crianças portadoras de necessidades especiais”, explicou Marla Fagundes.

Estiveram presentes à solenidade de inauguração do projeto Bebê Clínica Especial, além do secretário Augustinho Moro e do deputado federal, Wellington Fagundes, superintendentes da Secretaria de Estado de Saúde, servidores do Ceope, do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa (Cridac), do Centro Estadual de Referencia em Média e Alta Complexidade (Cermac), representantes da Fundação de Amparo a Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), da Superintendência de Vigilância em Saúde e de várias outras unidades da SES/MT.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diagnóstico precoce do retinoblastoma pode salvar a visão e a vida das crianças

*Matéria do Correio Braziliense. para acessar o conteúdo original e as fotos, clique aqui.

Tumor é considerado o mais comum em todo o mundo e precisa ser identificado na primeira infância. Estudo revela grande incidência do mal no Brasil

Márcia Neri

Publicação: 17/03/2010 08:09 Atualização: 17/03/2010 09:01

Sabrina Lucas Assi Alves, 26 anos, não tem referências do que é enxergar perfeitamente. Aos 4 meses, o retinoblastoma, neoplasia altamente agressiva que se manifesta na primeira infância, acometeu seus olhos. Embora seja um câncer pouco conhecido pela população, o mal é considerado o tumor ocular mais comum em crianças do mundo inteiro. Dados iniciais de um estudo conduzido por médicos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelam que a frequência do mal é maior no Brasil — com 2,4 a 9,8 casos para cada 1 milhão de habitantes — do que na Europa e nos Estados Unidos, que registram de dois a três casos para cada 1 milhão de pessoas. O próximo passo da pesquisa é identificar os motivos dessa diferença. Embora considerem cedo para conclusões, os pesquisadores do Inca ponderam que fatores ambientais e geográficos possam estar envolvidos.

Um reflexo esbranquiçado nos olhos de Sabrina causou estranheza na mãe da jovem, que peregrinou por diversos especialistas em busca de um diagnóstico. Quando os oftalmologistas finalmente detectaram o retinoblastoma, a mazela já havia tomado completamente o olho direito e o sistema nervoso central corria risco de ser atingido. A família de Sabrina viajou imediatamente para Campinas, que tem um centro de referência para o tratamento da doença. Os especialistas conseguiram salvar a vida da menina, mas o olho direito precisou ser removido. O esquerdo teve perda de 50% da visão.

O retinoblastoma é “democrático”. Não faz distinção de raça ou sexo e afeta um ou ambos os olhos de meninos e meninas em igual proporção. O mal é raríssimo depois dos 7 anos e o diagnóstico é geralmente feito nos primeiros 19 meses de vida. Embora incomum, a criança pode, inclusive, nascer com o câncer. Os maiores fatores de risco são histórico familiar da doença e alteração de um gene situado no cromossomo 13 — responsável pelo controle da divisão das células da retina. “Praticamente todos os casos que envolvem os dois olhos são hereditários. Quando o pai ou a mãe foi vítima do retinoblastoma, é importantíssimo fazer um exame detalhado no dia do nascimento da criança e acompanhar atentamente qualquer alteração nos olhos”, explica o oftalmologista André Hamada, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).

O diagnóstico precoce é considerado o ponto mais importante no tratamento. O problema é que os pediatras nem sempre detectam o retinoblastoma em consultas de rotina ou pelo próprio teste do olhinho, feito nos dias seguintes ao nascimento do bebê. Além disso, muitos pais desconhecem a doença e seus sinais. Os sintomas passam despercebidos, impossibilitando o encaminhamento imediato a um médico especialista. Segundo Hamada, quanto mais se demora na identificação do problema, mais comprometida fica a visão, porque o tumor se espalha rapidamente. “Quanto antes for diagnosticado, melhor o prognóstico. A possibilidade de cura do retinoblastoma é alta, chega aos 90%”, afirma. “No entanto, infelizmente, muitos pacientes chegam com o tumor em estágio avançado. Em casos críticos, é preciso remover o olho. Salvar a vida é sempre a nossa prioridade. Depois, tentamos preservar o olho e a visão.”

Sofrimento
Foi o diagnóstico tardio o responsável pela remoção do olho direito de Sabrina. O tratamento, realizado na década de 1980, foi penoso. “Fiz quimio, radio e crioterapia. Minha mãe conta que fiquei muito debilitada por conta da baixa imunidade, e isso postergou o processo de cura. O tumor cedeu, mas aos 17 anos fui submetida a uma cirurgia para remediar a catarata precoce, mal comum em crianças que passam por esse tratamento”, revela. Atualmente, o retinoblastoma é tratado com laser; braquiterapia, que é a radioterapia localizada; radioterapia externa e quimioterapia. A indicação depende do estágio do câncer e as alternativas disponíveis podem ser combinadas. O laser é usado em tumores pequenos.

“Quando o tumor está apenas na região periférica da retina, são grandes as chances da criança se recuperar e ter uma vida normal. Se ele atinge a área central dessa estrutura ou o nervo óptico, a visão pode sofrer comprometimento maior”, esclarece o oftalmologista Sebastião Ferreira Neto, do Hospital da Visão de Brasília.

O médico observa que a detecção da doença não é complicada, mas é facilmente confundida com outras lesões que ocorrem na infância, como a retinoplastia da prematuridade e catarata precoce. “O sintoma mais evidente é a leucocoria, um reflexo branco que se evidencia quando a pupila é submetida à luz artificial. O estrabismo também se manifesta com frequência”, acrescenta. Depois do tratamento, é fundamental acompanhar a criança, pois o tumor pode reincidir. Há três anos, Sabrina reviveu os momentos difíceis enfrentados pela sua família há mais de duas décadas. Rodrigo Lucas Alves, 3 anos, seu segundo filho, também foi acometido pelo retinoblastoma. “Sabia das grandes possibilidades disso acontecer, por isso fiquei atenta. Quando ele estava com 10 dias, notei o reflexo branco e imediatamente o levei ao oftalmologista, que não fez o diagnóstico. Insisti com outro especialista. Estava certa que era a doença e realmente foi constatado o tumor bilateral”, revela Sabrina.

Graças ao conhecimento da mãe, Rodrigo teve os olhos e a visão preservada. O tratamento foi feito com laser, quimio e crioterapia. O menino não perdeu peso e passou ileso aos efeitos colaterais da terapia. O tratamento durou cinco meses. “Fazemos exames constantes para acompanhar o restabelecimento do Rodrigo. Duas reincidências foram constatadas, mas puderam ser tratadas com laser. Os pais precisam estar atentos. Essa doença evolui rapidamente e um descuido pode comprometer a vida da criança. Hoje, eu levo uma vida normal na medida do possível. Trabalho, estudo, tenho uma família, mas tenho limitações. Não posso dirigir, por exemplo”, comenta Sabrina.

A química Helena Kussano Moura, 50 anos, tem um filho de 12 que também teve retinoblastoma. Quando foi feito o diagnóstico, os dois olhos estavam comprometidos pelo tumor. “Conseguimos salvar a vida de Kenzo, mas ele teve um olho removido e tem apenas 20% da visão do que foi preservado. Foi um baque para nós, que desconhecíamos totalmente essa doença. Mesmo com todas as restrições, porém, consideramos que meu filho tem uma história de superação. Ele venceu o câncer”, afirma.

terça-feira, 16 de março de 2010

Não há o que comer em 37.5% dos lares brasileiros

* Matéria enviada por Marila Duarte. Confira texto e fotos na página de origem, Mercado Ético.

Fotoimagem do filme “Garapa”, de José Padilha

“O Brasil
ainda é um país de duas versões: notável progresso na luta contra a fome, em meio a agudas desigualdades sociais”, segundo o Relator Especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação.

“Apesar de notável progresso, persistem lacunas no direito à alimentação no Brasil” disse o Relator Especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, Olivier De Schutter, durante a apresentação, para o Conselho de Direitos Humanos, do que observou durante sua missão ao Brasil. De Schutter esteve no Brasil em Outubro de 2009, em missão para avaliar o progresso do Estado Brasileiro na realização do direito à alimentação.

“Eliminar a fome no Brasil exigirá a consolidação de políticas sociais, maior igualdade na distribuição da terra, apoio contínuo à agricultura familiar e uma reforma tributária progressiva”.

O Presidente Lula levou o país a realizações significativas na luta contra a fome, com resultados concretos - tais como 73% de redução na desnutrição infantil entre 2002 e 2008 - e o estabelecimento de mecanismos sólidos: SISAN Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, e instituições participativas tais como o CONSEA”, disse De Schutter. Notamos com satisfação o aumento no salário mínimo, que ele disse ser “vital para expandir o mercado consumidor interno e para permitir ao Brasil que resistisse à crise global de alimentos de 2008 melhor do que outros países”.

O Relator relacionou alguns desafios importantes para o futuro: “A insegurança alimentar prossegue, para 37.5% dos lares brasileiros, cifra inaceitável para uma nação rica como o Brasil. 100 milhões de hectares ou 12% do território nacional sofrem com a grilagem, uma grande injustiça no Brasil. O processo de demarcação de terras para comunidades indígenas e quilombolas segue em ritmo muito lento e a concentração de terra aumenta em alguns Estados produtores de cana-de-açúcar, tais como São Paulo.”
De acordo com De Schutter, há mais razões para elogiar que motivos para grave preocupação. Ele expressou a preocupação de que alguns movimentos sociais que lutam por mais igualdade sejam crescentemente sujeitos a criminalização: “Acionar a polícia não é substituto de melhorar a situação dos muito pobres”.

Argumentando que a escolha entre modelos de desenvolvimento é vital, disse que “o Brasil aposta no modelo exportador, com a expansão da soja e do etanol de cana-de-açúcar como principais prioridades, entretanto ainda resta avaliar os efeitos distributivos deste modelo”. Incentivou o Brasil a realizar esta avaliação de forma abrangente e participativa, mas expressou dúvidas quanto aos benefícios do comércio global de commodities agrícolas para os grupos afetados por insegurança alimentar, tais como bóias frias, sem terra ou os pobres urbanos.

Apesar dos esforços significativos do governo Brasileiro para promover a agricultura familiar, o modelo de grande escala voltado à exportação ainda absorve um nível desproporcional de apoio público. Cerca de 47.000 grandes propriedades - apenas 1% das fazendas - cobrem 43% da terra, enquanto que por vezes contribuem muito pouco para a criação de empregos, mas gozam de prioridade quanto ao financiamento federal para a agricultura. Por outro lado, a agricultura familiar produz 38% do valor total da produção agrícola, cria mais empregos e é mais produtiva por hectare. A agricultura familiar foi negligenciada por décadas, disse De Schutter, acrescentando que “é enorme o potencial para melhorar a segurança alimentar por meio do apoio contínuo à agricultura familiar.”

Felicitou o Ministro do Desenvolvimento Agrário pela lei de Junho de 2009 que organizou a compra de no mínimo 30% dos alimentos usados pelo programa nacional de alimentação escolar (PNAE) de assentamentos e agricultura familiar. “Esta é, na verdade, uma das melhores alavancas de que o governo Brasileiro dispõe para realizar o direito à alimentação para todos. O mundo observa este programa, ele não pode falhar”.

O relatório inclui uma série de recomendações para o Estado Brasileiro, coerentes com a votação recente, no Congresso Nacional Brasileiro, de uma emenda à Constituição que torna o direito à alimentação um direito constitucional, o que foi aplaudido pelo Relator Especial da ONU.

“Os programas do Fome Zero deveriam ser sacramentados em leis, com orçamentos específicos adequados, para que não possam ser facilmente revertidos, criando uma dinâmica permanente de progresso e desenvolvimento” disse o Professor De Schutter.

“O Brasil deveria também pensar em acelerar as melhores abordagens à agricultura sustentável, de forma a torná-la uma fonte de inspiração holística e de longo prazo para o mundo. Sem dúvida há um enorme potencial inexplorado em práticas agroecológicas inovadoras, que deveriam ser ampliadas.” disse o especialista da ONU, pedindo uma avaliação participativa, em âmbito nacional, dos méritos respectivos da agricultura familiar, da agroecologia e da agricultura para exportação, inclusive monoculturas e agrocombustíveis.

As recomendações incluem ainda o fortalecimento do Ministério Público Federal em sua capacidade de usar proativamente as garantias constitucionais, redistribuição mais ampla de terras aos sem terra, e mudanças na coleta de impostos e no uso de recursos públicos, que são prioridade chave para De Schutter. Ele enfatizou o fato de que a natureza regressiva do sistema tributário Brasileiro é um empecilho capital à arrecadação de fundos suficientes para enfrentar os problemas da fome no Brasil. O sistema restringe também, nas famílias pobres, a receita disponível para que se alimentem adequadamente. De Schutter apóia também a proposta de que o Fundo Social do Pré-Sal inclua o direito à alimentação entre seus objetivos, uma vez que o programa Fome Zero representa apenas 1% do orçamento nacional.

“O direito à alimentação é realizável no Brasil, mas requer que se olhe para o futuro, em lugar de se manter posições conservadoras. Meu relatório tenta identificar as melhores opções para o período 2010-2015, algumas das quais já estão planejadas pelo governo e outras que ainda não estão”, disse De Schutter. “O exemplo do Brasil mostra que, com vontade política, um progresso imenso pode ser alcançado - mas desigualdades agudas persistem, e mais deve ser feito para combatê-las.”

* Oliver De Schutter foi nomeado Relator Especial para o direito à alimentação em Maio de 2008 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Ele é independente de qualquer governo ou organização.

Encontrou-se com mais de cem pessoas durante sua missão (12 a 18 de Outubro de 2009), inclusive os Ministros Celso Amorim, Patrus Ananías e Guilherme Cassel; os Presidentes de ambas as Casas do Congresso, Sr. José Sarney e Sr. Michel Temer, bem como representantes de todas as instituições ligadas à segurança alimentar, particularmente o CONSEA e o CAISAN, e uma amostra ampla e representativa das organizações da sociedade civil.

Leia o relatório: “Mission to Brazil” em http://ap.ohchr.org/documents/dpage_e.aspx?m=101.

Para saber mais sobre o trabalho do Relator Especial, visite: www2.ohchr.org/english/issues/food/index.htm ou www.srfood.org

Contatos com a Imprensa:
Olivier De Schutter
Tel. +32.488.482004.
Office of the High Commissioner for Human Rights -

Beatrice Quadranti
+41 22 917 9615 or
Elaine Ryan
+41 22 917 96 97 .

Para consultas e pedidos da mídia: srfood@ohchr.org

Informe da Organização das Nações Unidas, socializado pelo CIMI.

Sugerido por:
Marilda Duarte
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Celular 11 8259 9733

quarta-feira, 3 de março de 2010

The Vast Media Wasteland Gets Vaster - How Can Parents, Schools, and Government Be So Clueless About the Media?

* Artigo enviado por João Figueiró.

By Victor C. Strasburger, M.D.
Liberal Opinion Week . P.O. Box 606 . Hampton . IA . 50441 . Phone: 1-800-338-9335

How about that powerful antidrug commercial paid for by the U.S. government? It aired right between the seventh and eighth Budweiser commercials.

Given the enormous influence that electronic media in all of their forms exerts on the lives of children, it is astonishing how little parents, researchers, and policymakers have been spurred to action. TV researchers Dimitri Christakis and Fred Zimmerman.

Like they do with the weather, people complain about the media all the time. Too much violence, too much sex, too many beer ads, too many commercials in general, too much bad language (the hell, you say?). When kids are spending more than 7 hours a day with media that can potentially be harming their health - or improving their health - the key question is how to change things for the better.

And that's where most people stop, because after all, how do you "change" Hollywood, or Madison Avenue, or the 6 major TV networks and the 300 plus cable channels? We're all just blowin' in the wind here, right?

Wrong. Here's one place where I agree with Hollywood moguls - there is an off-switch on your TV set. There is no good reason to put a TV set or an Internet connection into your child's bedroom. Your 5-year-old does not need his own cell phone. Your 7-year-old does not have to go see "Avatar" because all of his little friends are seeing it. When it comes to media, parents are basically both clueless and gutless. On a list of 50 things you want to argue with your kids about, the media probably log in around #103. When was the last time you said, "You can't watch that - it's not the right kind of show for you"? When was the last time you checked what movie was being shown at your 10-year-old daughter's sleepover? Have you texted your child today? Friended them?

Parents must control their kids' access to media from the get-go. That means no baby videos - unless you've got baby sitting in your lap and are interacting with him, in which case you are the primary source of entertainment, not the screen. Seven studies show that TV or videos before the age of 2 years may result in language delays; only 1 small study - to be published in a few months - shows that videos might - might - help 18-24 month-olds discriminate shapes.

So babies will now be able to tell who's fat and thin? Oh boy. That means no TV set in the child's bedroom. Yes, I know, it's not in there now because of any grand plan. It's there because you got a gazillion dollar, plasma-digital-sensurround sound HDTV for your living room and you didn't want to give the old TV to Goodwill. Go ahead, give it away. That will just leave you with 4 TV sets in your house instead of 5 (the average in the U.S.).

There are more households in the U.S. with TV sets than with indoor plumbing! Every research study we have documents that kids with TV sets in their bedrooms watch more TV (of course), are more likely to be obese, and may be more likely to engage in other risky activities like drug use (because they see more programming and more PG-13 and R-rated movies that are inappropriate for them).

Speaking of inappropriate, every time I go to the movies these days I see a dozen 3-8 year-olds sitting in the audience for a PG-13 or R-rated movie. What's up with that? I'm trying to do a research study of why parents do this - is it (a) because they can't afford a babysitter? (b) because they were taken to see such movies when they were growing up? (c) the "nag factor" (d) because they think all the violence, sex, bad language, smoking, an drinking in PG-13 and R-rated movies is harmless or (e) all of the above? I wish I knew.

If you're worried about your 14-year-old son downloading porn on his computer, don't put an Internet connection in his bedroom, and don't network the entire house. If the only computer with the connection is in the den, and everyone is always in there, do you really think he's going to be looking at porn or surfing websites for Aryan Nation or building bombs? His 8 year-old sister is going to rat him out every time.

But here's where I draw the line: it's not just up to parents. We've got plenty of responsibilities already. Wouldn't it be nice if Hollywood and the networks and cable stations produced a better, healthier product so you didn't have to worry so much? They make billions of dollars, but no - they accept no responsibility for what they produce. According to them, it's just harmless entertainment which has no effect on people (except that pictures like "Shindler's List" are ennobling and life-affirming - you get the idea - the good pictures are great and contribute wonderfully to society, but the bad stuff doesn't matter). If you believe that, I have some beachfront property off the southern coast of New Mexico I'd like to interest you in.

Schools have a responsibility, too (see Liberal Opinion Week, 1/27/10). Many schools are wrestling with media issues, such as how to control cell phones and whether to allow laptops in classrooms. Yes, they need policies. But schools and teachers also need to learn how to use media creatively to teach kids. No more rote memorization, when information is a nanosecond away on Google. Why teach the Civil War out of a textbook when Ken Burns' series is available? And for heaven's sake, let's stop torturing 7th and 8th graders by making them read "Romeo and Juliet" when there are 10 different DVD versions available which have a far greater chance of turning them on to Shakespeare than reading Elizabethan English does.

Last, but hardly least, we have the Federal government's role in all of this. We're not talking censorship here (with one notable exception), just common sense. Consider this: the last government report that gathered all of available research on the impact of media on children was in 1982 - before the Internet, before DVDs, almost before VCRs! It's time for a new National Institutes of Mental Health or Surgeon General's report that will bring together what we know now, what we don't know, and what needs to be done to maximize the positive impact of media.

It's also time for Congress to ban all tobacco advertising in all media. Other countries do it, why can't we? Primarily because we have the best Congress money can buy. That's one of the reasons why a popular senator like Sen. Bayh (D-IN) isn't running for re-election. He's fed up. Do you have any idea of why cigarette ads are not on TV? Yes, Congress did pass a law, in 1971, banning such ads. But they did it with the complete agreement of the tobacco lobby. Do you really think 434,000 Americans dying each year from tobacco-related causes was sufficient for Congress to act against the industry? Remember that beachfront property. The government could also pass CAMRA, the Children and Media Research Advancement Act, which would fund desperately-needed media research. The Federal Communications Commission could insist that all ads for ED drugs be aired after 10 p.m. so that younger children wouldn't have to see them. The FCC could also severely restrict all advertising targeting young children - who are intellectually and psychologically defenseless against advertising - and limit ads for junk food and fast food.

There is lots we could do, but do we have the courage to do it?

Dr. Victor Strasburger is a Professor of Pediatrics at the University of New Mexico and author of Children, Adolescents, and the Media, 2nd ed. (with Barbara Wilson, Ph.D. and Amy Jordan, Ph.D.), Sage, 2009.
VStrasburger@salud.unm.edu
©Victor C. Strasburger, M.D.

Enviado por:
João Augusto Figueiró
Instituto Zero a Seis
55(11) 3287 9206
www.zeroaseis.org

terça-feira, 2 de março de 2010

Entrevista com Viviane Senna

* Texto enviado por Marilda Duarte.

Na entrevista para a revista HSM Management (enviada para a Secretaria Executiva da RNPI pela Marilda Duarte), Viviane trata das questôes de gestão no Brasil, tendo em vista as prioridades sociais do país.

Confira o texto na íntegra, abaixo.

Entrevista Viviane Senna
Sugerido por:
Marilda Duarte
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Celular 11 8259 9733

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lazer na Rua

*Texto enviado por Marilda Duarte. Confira (texto e fotos) na página do SESC SP. Ilustrações: www.marcosgaruti.com


O aumento da violência, os perigos do trânsito e a falta de espaços adequados nas cidades, principalmente em metrópoles como São Paulo, fazem com que os pais evitem que seus filhos se relacionem com o ambiente urbano. Com isso, o convívio social e as brincadeiras infantis migram das ruas para os locais privados, como os condomínios fechados. Mas quais são os malefícios trazidos por essa falta de contato externo? Quais as formas de driblar os percalços da contemporaneidade para que os filhos possam usufruir esse espaço de convivência e sociabilização? Em artigos exclusivos, o doutor em ciências humanas e professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) José Guilherme Cantor Magnani e a arquiteta e urbanista Claudia Oliveira debatem a questão.

A rua, espaço público como lugar de brincar
por Claudia Oliveira

Por que torn
ar a rua um lugar de brincar? A cidade deve fornecer espaços públicos de lazer, pois todas as crianças têm direito a saúde, ao lazer, a liberdade e à convivência comunitária. Elas necessitam do espaço público próximo a suas casas para poder optar e realizar o lazer no seu tempo disponível, construir sua autonomia e cidadania.

Em São Paulo, há escassez de espaços públicos e carência de locais de brincar. Por vezes, o único espaço público aberto que encontramos próximo às residências é a rua, que foi invadida por automóveis e pela insegurança; as calçadas foram ficando menores e esburacadas; e a criança foi perdendo o seu espaço de brincar. Muitas passam a não conhecer sua rua, os limites de seu bairro, e não podem circular livremente pelo entorno de suas casas.

A rua é um espaço público multifuncional que está indiscriminadamente presente em toda a cidade, é o espaço que se encontra à porta das casas, rico de oportunidades, dinâmico, significando sedução, estímulos e descoberta. Precisamos nos reeducar para poder formar a criança no espaço da cidade, utilizar a rua, melhorar a qualidade de vida e revitalizar o tecido urbano degradado.

Hoje as crianças apresentam mudanças na percepção e exploração dos espaços, pois não os vivenciam. Muitas crianças que não se movimentam e ficam fechadas dentro de suas casas se tornam agressivas e individualistas. A falta de movimento do corpo pode provocar doenças como a obesidade, que, somada à falta de recreação em espaço aberto, pode causar no futuro problemas cardíacos e pulmonares.

É no dia-a-dia, experimentando o espaço no tempo, que a criança vai trabalhando seu corpo e sua mente. A necessidade de movimento é absolutamente fundamental, sua aprendizagem envolve força muscular, equilíbrio, agilidade, resistência, ritmo e sentimentos, como afetividade, medo, espanto. Segundo o doutor Wallon [WALLON, Henri. Les Ages de l'Enfant Vers une Vie d'Homme. Paris: Universitaries, 1973], "a criança em desenvolvimento necessita de movimento, de ação, de gritos, do exercício de todos os seus aparelhos sensoriais e motores. Toda frustração de suas necessidades se traduz em fadiga, irritação e agressividade, entre outras."

No ser humano, o controle dos movimentos é uma das condições essenciais da autonomia e do equilíbrio pessoal. Graus de equilíbrio são necessários para que o desenvolvimento da criança seja bem-sucedido.

Assistindo à televisão ou utilizando o computador, a criança não partilha suas emoções e não explora suas possibilidades; são situações, espaços, tempos diversos da vida real em que trabalha pouco a criatividade, porque tudo já vem pronto.

A criança em desenvolvimento necessita do exercício de todos os seus aparelhos sensoriais e motores e de espaço para brincar e pôr em movimento todos os músculos do corpo numa desordem útil, que a ginástica e o esporte não suprem. Os neurônios precisam de determinados estímulos para desenvolver habilidades como visão, coordenação motora e linguagem. A falta desses estímulos, no momento adequado, pode comprometer irreversivelmente a formação da criança.

Ela necessita explorar o espaço de várias formas para poder, no futuro, possuir diversos registros acumulados para planejar, executar a ação certa e inventar novas ações a ser aplicadas a situações inéditas.

A criança, brincando, no espaço externo junto à natureza, com tempo, liberdade e outras crianças, recebe estímulos constantes e variados, trabalha e enriquece a sua percepção do espaço, cria suas próprias regras e limites, e desenvolve a sua sensibilidade, coordenação motora, imaginação, mente e criatividade, socializando-se, trocando experiências, respeitando, criando vínculos com outras crianças e com adultos de diversas classes sociais, crenças, raças, culturas e etnias, e aprende a ser solidária.

O espaço lúdico é o caminho mais eficaz para a aprendizagem: encanta, motiva e desperta na criança a curiosidade e o desejo de aprender. O contato com a natureza fornece à criança, dada a sua dinâmica, ritmo e riqueza de informações, tais como vento, calor, perfumes, cantos dos pássaros, luminosidade, sombras, coloridos e formas, estímulos constantes à observação, à exploração, ao aprendizado e à criatividade.

Crianças brincando juntas constituem um potencial para trocas, convivência, integrações, compartilhamento, diversidades que se completam. Entre todos os tipos de espaço, é o espaço público, espaço de todos, que proporciona uma fonte de estímulos, riquezas, conhecimentos, aprendizados, inter-relacionamentos, e desempenha um importante papel no processo de formação da criança.

Elas precisam ter condições para elaborar o próprio projeto de vida, trabalhar sua auto-estima estimulando o prazer do aprendizado, sentindo-se valorizadas, e tendo ajuda para poder se afastar das drogas, das más companhias, sentindo-se dignas e podendo passar a exigir os seus direitos e cumprir os seus deveres num verdadeiro exercício de cidadania. Para podermos viver na cidade, num ambiente de uso comum, precisamos aprender a "conviver", ou seja, "viver com os outros e no espaço de todos", diminuindo a violência urbana e a segregação social.

Através do brincar, desenvolve-se o hábito de respeito ao semelhante e a compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, possibilitando o desenvolvimento e a reintegração de crianças, através de atividades que possibilitem a auto-estima e aquisição de conhecimentos para sua evolução como cidadãos, na atuação para um mundo mais justo e humano.

O espaço público, entre outros, a rua, é o espaço da sociedade, do uso coletivo, do reencontro do homem com a natureza, da troca de valores das crianças e dos adultos de várias faixas etárias, raças, crenças, etnias, culturas e classes sociais, da participação comunitária, de todos compartilhando um espaço comum e interagindo entre si, em clima alegre, espontâneo e despretensioso.

A rua é um espaço que se abre ao firmamento, dá o sentido de liberdade, de movimento, de ação e de transformação, "o céu em permanente mudança". Como nos diz Santos e Vogel [SANTOS, Carlos Nelson Ferreira; VOGEL, Arno. Quando a Rua Vira Casa. Rio de Janeiro: Finep/Ibam, 1981], a riqueza das experiências possíveis numa rua não pode ser mimetizada por nenhuma instituição pedagógica, inclusive pela forma de apreensão não analítica, através da qual a diversidade social pode ser vista, percebida e compreendida. A rua é, mesmo, um microcosmo real. É o elemento estruturador da cidade, muitos olhos podem garantir sua segurança; eles asseguram que nada passa despercebido. São olhares dos que supervisionam o espaço que pertence a todos em comum, com a convicção de intervir e partilhar uma responsabilidade coletiva do lugar dinâmico, de livre acesso, no qual todos se encontram, universo de múltiplos eventos e relações.

Mayumi S. Lima [LIMA, Mayumi Souza. A Cidade e a Criança. São Paulo: Nobel, 1989] já questionava: os espaços da cidade, como as praças e principalmente as ruas dos bairros da periferia, poderiam ser pensados para o uso prioritário das crianças e das famílias e secundário dos carros, tal como ocorre nos calçadões centrais. A possibilidade da proibição de carros é aventada quando o interesse é comercial. Por que não para atender ao interesse das crianças?

Hoje é tempo de conquistar coletivamente e utilizar a rua, o espaço público que flui pela cidade e lhe dá continuidade, além de proporcionar elementos para que a criança reconheça esse espaço como sendo o seu espaço, e se necessário transformá-la no lugar de brincar.

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CLAUDIA OLIVEIRA É ARQUITETA, URBANISTA E AUTORA DO LIVRO O AMBIENTE URBANO E A FORMAÇÃO DA CRIANÇA (EDITORA ALEPH, 2004)

O pedaço das crianças
por José Guilherme Cantor Magnani

Nos tempos qu
e correm é quase automática a relação entre cidade e perigo; se se trata de uma metrópole como São Paulo, então, essa vinculação é imediata: parecem sinônimos. E justamente o espaço que aparece englobando todo esse perigo é a rua. Esta, no entanto, é o próprio emblema da cidade: se existe um elemento que melhor a representa, é a rua. É nela que ocorrem, preferencialmente, as relações e encontros entre pessoas com experiências, origens e visões diferentes, e é da troca entre elas que resulta, mais rica, a cultura urbana. Sem esse tipo de contato, as pessoas ficariam restritas ao convívio entre os iguais, confinadas ao espaço doméstico. Essas trocas e relações estão sujeitas a regras que definem um domínio particular de convivência: o espaço público.

Essa oposição entre espaço público e espaço doméstico, bastante conhecida, ganhou novas conotações a partir do trabalho do antropólogo Roberto da Matta, que a transpôs para uma fórmula mais concreta: casa versus rua. Cada um desses termos resume um conjunto de características que se contrapõem, mas também esclarecem um ao outro. Assim, "casa", que representa o domínio do privado, é o espaço das relações de sangue, do contato íntimo, da segurança; "rua", ao contrário, é o domínio do público, das oportunidades, dos estranhos, e também do perigo. As crianças conhecem muito bem essa diferença: "Já pra casa, menino!" Ou então: "Que está fazendo até essa hora na rua?"

Entretanto, com base em pesquisas antropológicas que desenvolvi na periferia da cidade de São Paulo, e depois em regiões mais centrais, introduzi um terceiro termo nessa relação, o "pedaço": trata-se de um espaço intermediário entre a casa e a rua. É quando, de um lado, a casa se abre para fora e, de outro, a rua se torna mais acolhedora: do encontro, da interseção entre ambos é que surge o pedaço, vocábulo usual na linguagem comum, mas que pode ser tratado como uma noção mais geral, uma categoria que também designa relações, regras, normas. Assim foi definido, no livro Festa no Pedaço:

"O termo, na realidade, designa aquele espaço intermediário entre o privado (a casa) e o público, onde se desenvolve uma sociabilidade básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém mais densa, significativa e estável que as relações formais e individualizadas impostas pela sociedade. Pessoas de pedaços diferentes, ou alguém em trânsito por um pedaço que não o seu, são muito cautelosas: o conflito, a hostilidade estão sempre latentes, pois todo lugar fora do pedaço é aquela parte desconhecida do mapa e, portanto, do perigo. Para além da soleira da casa, portanto, não surge repentinamente o resto do mundo. Entre uma e outro situa-se um espaço de mediação cujos símbolos, normas e vivências permitem reconhecer as pessoas diferenciando-as, o que termina por atribuir-lhes uma identidade que pouco tem a ver com a produzida pela interpelação da sociedade mais ampla e suas instituições" (MAGNANI, José Guilherme, Festa no Pedaço. São Paulo: Editora Hucitec, 1998, p. 116-117).

Pelo fato de intermediar os dois domínios, o pedaço apresenta características de ambos, combinando-as, porém, na forma de novas regras: da casa reproduz o ambiente de segurança e, da rua, a novidade, o imprevisto, a possibilidade de contato com pessoas que não estão vinculadas pelos laços de parentesco. Os freqüentadores de um pedaço, ou aqueles que podem circular por ele não são totalmente estranhos. Dessa forma, o pedaço pode ser considerado uma espécie de transformação, de abertura da casa em direção ao espaço público, englobando-o.

É nessa condição que se institui um espaço privilegiado para o exercício da sociabilidade. No caso das crianças, é aí que podem iniciar-se, desde cedo, no exercício da cidadania, pois entram em contato com outro ambiente, com outras pessoas, precisam conhecer novas regras de convivência, entre as quais aprender a compartilhar, ceder, negociar... Pode parecer muita responsabilidade, tarefa de adultos, mas é no ambiente lúdico que essas regras se internalizam.

Na verdade, isso não constitui nenhuma novidade, os educadores sabem muito bem. O importante, entretanto, é assinalar que o pedaço, como uma espécie de modulação da rua, precisa ser construído. Não está dado, não foi previsto pelo planejamento urbano, é antes o resultado de um investimento em termos de presença, uso e criatividade por parte dos usuários. Na verdade, precisa ser conquistado. Em vez do movimento de retração em direção ao espaço fechado, isolado, superprotegido, como resposta à violência, é preciso fazer com que a rua, o símbolo da convivência urbana, volte a ser mais segura, hospitaleira e acolhedora. Para isso, é preciso ocupá-la. A propósito, cabe aqui o relato de uma experiência, descrita e analisada por um grupo de alunos meus (Fábio Peixoto, Jade Percassi, Marina Couto, Sandra Bitar - Infância na Metrópole: o Tempo Livre das Crianças Que Freqüentam o Projeto Piá, 2001) como trabalho de conclusão da disciplina Pesquisa de Campo em Antropologia, na USP.

Foi uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Instituto Cactus de Educação e Cultura, conveniado com a Faculdade de Educação da USP e Secretaria Municipal de Educação. O que quero ressaltar não é tanto a atividade pedagógica em si, muito interessante, mas a forma como as crianças, à época um grupo de cerca de 20 integrantes, de 2 a 12 anos, se dirigiam ao local do projeto: provenientes de vários cortiços da região, encontravam-se na esquina das Ruas Lopes Chaves com Margarida, na Barra Funda, na Casa de Mário de Andrade. A partir daí, acompanhadas apenas por uma educadora, percorriam, cantando, um itinerário pelas ruas do bairro até o Centro Educacional e Esportivo Raul Tabajara, onde se situa seu pedaço de destino. O importante a assinalar aqui é a constituição de um trajeto (outra das categorias que utilizo nas pesquisas sobre espaço urbano, correlato ao de pedaço) por vias públicas, numa estratégia que as tornava visíveis, despertando atenção, curiosidade. À vista daquele bando ruidoso, transeuntes e pessoas do entorno deixavam, por momentos, suas ocupações habituais e, das portas ou janelas de seus carros, casas, escritórios e oficinas, formavam uma ola de vigilância, no estilo que Jane Jacobs denomina o balé das calçadas, a proteção a partir dos múltiplos olhares (Vida e Morte de Grandes Cidades, Martins Fontes, 2003).

Assim, vemos aqui o pedaço no momento da partida ou encontro, um trajeto, e finalmente o pedaço de destino, na forma de uma estratégia simples e ao mesmo tempo ousada, instituindo uma verdadeira experiência de ocupação de ruas e equipamentos públicos que, ao menos em determinados momentos, foram transformados em espaços protegidos, acolhedores, mas não confinados, repletos de estímulos produzidos pela própria dinâmica urbana.

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JOSÉ GUILHERME CANTOR MAGNANI É DOUTOR EM CIÊNCIAS HUMANAS PELA FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS (FFLCH) DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) E PESQUISADOR QUE ATUA NA ÁREA DA ANTROPOLOGIA URBANA, COM ENFOQUE EM MODALIDADES DE LAZER, CULTURA E SOCIABILIDADE NA METRÓPOLE

Fonte:
Revista SESC SP
n. 116

Janeiro de 2007


Sugerido por:

Marilda Duarte
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Celular 11 8259 9733

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mais econômicos que muito marmanjo

*A matéria abaixo foi publicada no Correio Braziliense no dia 14.02.2009. Reproduzimos trecho dela. Para acessar o conteúdo completo (bem como as fotos copiadas abaixo), clique aqui.

Quem disse que dinheiro não é para ficar na mão de criança? Muitos meninas e meninos dão exemplo de disciplina e determinação e conseguem, de moeda em moeda, comprar seus objetos do desejo
Diego Amorim

Publicação: 14/02/2010 10:18

Quando Nathan colocou na cabeça que queria porque queria um videogame portátil, ele
primeiro tentou o caminho mais fácil. “Papai não tem condições, meu filho”, ouviu do brigadista José Júnior Diógenes Bessa, 42 anos. Começava ali a saga de um garoto de 9 anos em busca do seu objeto de desejo. Uma aula de educação financeira. De deixar muito adulto com inveja. Nathan decidiu, por conta própria, juntar o dinheiro. E era um dinheirão: R$ 820.

Nathan se virou para juntar R$ 820 necessários para comprar o videogame portátil com que tanto sonhava: aula de como poupar

Sem mesada, semanada nem qualquer outra fonte de renda, o menino precisou se virar sozinho. Não era problema. Ele fez planos e bolou estratégias para alcançá-los. Regra número 1: nenhuma moeda deveria ser desprezada. Regra número 2: todo e qualquer parente, do tio mais chato ao primo mais velho, precisaria ser convencido a ajudar naquela empreitada. Regra número 3: se necessário fosse, até o dinheiro das balas e do r
efrigerante na escola acabariam indo para o cofrinho.

No primeiro mês, o garoto percebeu que juntar R$ 820 não ia ser tão fácil quanto receber do pai o presente. Teve, então, mais ideias. Pegou as figurinhas do Pokémon guardadas em casa e vendeu para coleguinhas do colégio. Em uma viagem para Caldas Novas (GO), sugeriu uma aposta a um dos tios: quem ficasse mais tempo embaixo d’água ganhava dinheiro. Nathan, claro, venceu a brincadeira inventada por ele. Depois, fez as contas e descobriu que tinha apenas R$ 160.

Até que chegou outubro do ano passado, mês do seu aniversário. Era a grande oportunidade de engordar o caixa. O garoto ligou para cada um dos convidados e deu a ordem: “Não quero presente. Quero dinheiro. Se puderem ajudar…” Valia quase tudo em nome do tal videogame portátil. Os avós foram generosos. Um deles deu logo de uma vez R$ 300. Nathan pulou de alegria. Refez os cálculos e descobriu que faltava muito pouco para chegar aos R$ 820.

Passada a festa, o pai não aguentou. Chamou o filho e, juntos, foram à Feira dos Importados. “Hoje, vamos comprar seu presente”, avisou. Depois de mais de um ano de muita determinação, Nathan conseguiu o que tanto queria. Foi um dia mágico para ele. “O empenho dele nos surpreendeu, foi uma força d
e vontade incrível”, emociona-se o pai, que não se incomodou em desembolsar os R$ 120 que faltavam. “Pra mim, foi uma vitória”, resume, tímido, o garoto.

Hanna tem 9 anos, mesma idade de Nathan. É outro exemplo de uma criança com consciência financeira. Ela mesma é quem administra o dinheiro que recebe dos pais. Quando quer comprar alguma coisa, faz sacrifícios e guarda a quantia necessária. “Tenho amigas que a mãe dá tudo o que elas pedem. E isso não é bom porque a gente vai crescer e não vai poder ficar dependendo da mãe sempre”, ensina a menina.


Hanna administra bem o dinheiro que recebe da mãe: R$ 1,5 mil na conta

O valor que Hanna ganha por semana depende do comportamento dela, em casa e na escola. Se tudo correr bem, são R$ 8. “Se eu mentir, não ganho nada. Mas se eu me comportar muito, muito bem, posso ganhar até R$ 11”, detalha. No fim do ano passado, a garota pediu à mãe uma mochila nova. Verde e cheia de bolsos. Quanto? R$ 180. Simone Vasconcelos, 43 anos, coordenadora pedagógica da escola da filha, negou. Hanna teria que usar o próprio dinheiro.

A menina remexeu a carteira e foi às compras. “É bom ficar com dinheiro na mão porque pagando à vista você pode ter mais desconto”, explica. A estratégia deu certo. O vendedor cobrou R$ 15 a menos. Na poupança da menina, que recebe a semanada desde os 4 anos, acumulam-se cerca de R$ 1,5 mil. “Aprendendo a lidar com o dinheiro, as crianças ganham mais responsabilidade. Fico tranquila com ela. Muito adulto não consegue fazer o que ela faz”, orgulha-se a mãe.

Felicidade
Especialistas defendem que ensinar as crianças a lidar com o dinheiro é prepará-las para a vida. Quem consegue fazer o que Nathan e Hanna fazem costuma dar mais valor às conquistas e aprende a controlar melhor a ansiedade. “Quem tem essa consciência é mais feliz”, avalia o educador financeiro Álvaro Modernell. “Não estamos falando em ensinar crianças a ficarem ricas. A felicidade está baseada no equilíbrio, não na riqueza”, completa o autor de seis livros sobre o tema.
(...)
Dicas
Envolva as crianças no orçamento familiar. Marque reuniões com elas e explique, de maneira didática, quanto de dinheiro entra e quanto sai da casa.

Faça com que elas se sintam participantes do orçamento. Exemplo: explique que quanto menos tempo no banho ela demorarem, menor virá a conta de água.

No caso dos brinquedos, faça o filho perceber que são produtos iguais, apesar dos valores diferentes. Se for presenteá-los com aquele mais caro, sugira alguma tarefa em troca, como menos lanches fora de casa naquela semana.

Lembre que o não de hoje pode ser importante para o futuro da criança. Ensine, desde cedo, que ela não pode ter tudo ao mesmo tempo.

Em casa e na escola
O conceito de educação financeira ganha força em todo o mundo. No Distrito Federal, algumas escolas trabalham o assunto, mas de maneira esporádica. “É preciso uma mudança de cultura e de atitudes”, sustenta. “Se as escolas preparam as crianças para a vida, elas não podem se esquecer de que o dinheiro faz parte da vida de todos”, acrescenta ele, que tem feito palestras em colégios do DF.

A tendência, nos próximos anos, é de que educadores se atentem à necessidade de envolver os alunos no mundo do dinheiro. Reinaldo Domingos, especialista no tema, acredita que a mudança partirá das crianças: “Os adultos já estão cheios de hábitos e vícios”. Ele defende que, em casa, é preciso romper com o tabu de que a garotada não deve se meter no orçamento doméstico. “Os filhos precisam sentar à mesa com os pais e conhecer as contas da casa”, orienta.

Os educadores financeiros lembram que crianças consumistas têm grandes chances de virarem adultos com problemas financeiros. Reinaldo Domingos preparou um questionário (veja arte) para que os pais possam ter ideia de como os filhos lidam com o dinheiro. O teste vale para crianças a partir de 7 anos. (D.A)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Corrida das crianças para a internet desafia companhias

*Texto enviado por Tamara Gonçalves. Confira na página do Valor Online.

Cenário: No Brasil, cerca de 4 milhões de pessoas com idade entre 2 e 11 anos já navegam pela rede

André Borges, de São Paulo
01/02/2010

João Gabriel acabou de completar três anos. Adora jogar bola, é fã de carteirinha dos desenhos do "Ben 10" e não troca por nada as estripulias da "Turma do Cocoricó". O pequeno Gabriel ainda não sabe falar direito, mas já aprendeu a dizer algumas palavras mágicas quando resolve assistir desenhos e ouvir música: "Tube, papai, tube", diz o garoto, apontando para o computador. O pai liga o PC e acessa o site de vídeos YouTube. É uma festa só.

O menino João Gabriel não é uma exceção. Sua desenvoltura com o mundo da internet é o exemplo típico de um comportamento que ganhou milhares de adeptos nos últimos anos e não para de crescer. A pedido do Valor, o Ibope Nielsen fez um levantamento sobre essa corrida das crianças para a internet em todo o país. Foram consideradas apenas aquelas com idade entre 2 e 11 anos.

Em dezembro, das 28,5 milhões de pessoas que navegaram na internet a partir de suas casas, nada menos que 14% - quase 4 milhões de pessoas - eram crianças. Há dez anos, as crianças eram apenas 6% da audiência total da internet residencial. O volume é representativo, dado que, segundo levantamento populacional de 2008 realizado pelo IBGE, há 33,5 milhões de crianças no país com idade entre 2 e 11 anos.

Para os analistas, a explicação por trás desses números passa pela crescente popularização da internet, a redução no preço dos computadores e o desejo dos pais de levar o computador para os filhos.

Mas o que, afinal, essa meninada está fazendo na internet? Os sites de jogos, desenhos e histórias infantis são, tradicionalmente, os líderes de audiência. Hoje, 15% das visitas a sites de jogos - um dos serviços mais procurados na web - são feitas por crianças. Um olhar mais atento, porém, revela que os pequenos também têm outros talentos na hora de navegar. As crianças, principalmente as meninas, diz José Calazans, analista de mídia do Ibope Nielsen, estão cada vez mais interessadas em se comunicar pela rede. "O PC tem se transformado em uma ferramenta de socialização para as crianças", diz. No Orkut, uma das redes sociais mais populares da internet, a criançada já representa 10% das visitas. De cada dez usuários do sistema de troca de mensagens Messenger (MSN), um tem até 11 anos de idade.

Aos poucos, as empresas começam a dar mais atenção para essa audiência. No ano passado, a fabricante de brinquedos Estrela decidiu testar, pela primeira vez, uma estratégia de comunicação para a internet. A companhia injetou R$ 1 milhão em campanhas publicitárias e espalhou anúncios de brinquedos em canais infantis de portais como iG, Terra e UOL. Também investiu nos links patrocinados que acompanham os resultados de busca do Google. "Foi um surpresa para nós. Em apenas seis meses, alcançamos a marca de 7 milhões de cliques", diz Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela.

Para este ano, a fabricante de brinquedos decidiu renovar todo o seu site, que recebe cerca de 90 mil visitas por mês. "Teremos um conteúdo ainda mais interativo. Além disso, ampliaremos a verba de propaganda para a internet."

No UOL, o momento também é de reformulação do canal "Crianças". O novo site estreia em maio. No último trimestre do ano passado, o UOL Crianças registrou 101,7 milhões de páginas visitadas. "Tivemos um crescimento de 138% sobre o terceiro trimestre", diz Manoela Pereira, gerente geral de entretenimento do portal. "Apenas em dezembro, o canal recebeu 392 mil visitantes únicos."

Companhias como os estúdios Disney já mostraram que a brincadeira on-line também é assunto de gente grande. Em 2007, a The Walt Disney Company pagou US$ 350 milhões pelo "Club Penguin". O site, que cria um mundo virtual infantil, é hoje um dos mais acessados pela criançada no Brasil.

Por enquanto, não há notícias de que crianças estão fazendo compras na web, mas isso não significa que elas não estejam, pelo menos, passeando pelos sites de comércio eletrônico. Das quase 4 milhões de crianças que navegaram pela internet em dezembro, mais de 50% - 2 milhões de crianças - visitaram páginas de ao menos uma loja virtual. "É claro que elas não estão ali para comprar algo, mas de alguma forma elas estão chegando até esses sites", diz José Calazans, do Ibope. Boa parte dessa audiência é resultado de buscas por informações de brinquedos ou personagens de desenhos animados. Um estudo recente feito pela consultoria americana Mediamark Research apontou que, nos Estados Unidos, 46,3% das crianças com idade entre 6 e 11 anos estão usando a internet para conferir os produtos que veem na publicidade impressa ou na TV.

Para o cartunista Mauricio de Sousa, a internet "abriu um mundo de novas possibilidades" para se relacionar com as crianças. O criador da "Turma da Mônica" acaba de contratar uma empresa para reformular o site da Turma. "Fizemos um site básico no passado, sem interatividade, mas quando vimos, já estávamos com mais de 20 mil páginas vistas por mês", diz.

O novo site, segundo Mauricio, terá a participação de um investidor externo. Hoje, as páginas eletrônicas da Turma da Mônica trazem algumas tirinhas, desenhos e jogos. Mauricio, que já aderiu ao Twitter e hoje tem 74 mil "seguidores", diz que a nova versão deverá incluir a publicação integral de alguns gibis, além de novas famílias de personagens e até uma área de conteúdo pago.

Ao renovarem seus sites e experimentarem diferentes conteúdos, as empresas do mundo infantil tentam acertar qual é a melhor forma de ocupar seu espaço na internet. "As crianças já estão lá, mas nós ainda estamos aprendendo a como lidar com esse fenômeno", diz Aires Leal Fernandes, da Brinquedos Estrela.

Foi como brincadeira que o "Divertudo" estreou na internet em 1999, diz Evelyn Heine, diretora de conteúdo do site. "No começo era só um hobby, não ganhávamos nada para fazer o site." Hoje o Divertudo recebe 150 mil visitantes únicos por mês, com 1 milhão de páginas vistas. Com a abertura de espaço para anúncios do Google e do Submarino, o site começou a receber uma comissão pelas transações iniciadas em suas páginas. "A brincadeira ficou séria", diz Evelyn. "Já começamos a ter lucro."

Publicado por:
Valor Online
Link:http://www.valoronline.com.br/?impresso/tecnologia_&_telecomunicacoes/277/6080373/corrida-das-criancas-para-a-internet-desafia-companhias
Em 01/2/2010

Enviado por:
Tamara Gonçalves
Projeto Criança e Consumo - Instituto Alana
Tel: +55 11 3472-1608
tamara@alana.org.br

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crianças faturam até R$ 2 mil em 245 faróis, esquinas e feiras de SP

*Texto enviado por Marilda Duarte. Confira o texto e foto na página do Estadão.

Com a chegada das festas de fim de ano, rendimento de mendicância infantil salta de R$ 40 para R$ 70 por dia
Fernanda Aranda

A cidade de São Paulo tem pelo menos 245 pontos - entre cruzamentos, semáforos e feiras livres - em que há concentração de mendicância infantil. Nesses locais, meninos na maioria com idade entre 8 e 11 anos conseguem fazer a esmola render até R$ 2 mil por mês. O mapeamento foi feito por equipes de agentes sociais ligadas à Prefeitura. Os técnicos afirmam que essas mesmas áreas tendem a ficar mais disputadas pelas crianças com a proximidade das festas de fim de ano. Garotos e garotas sabem que a solidariedade aflorada reverte-se em mais dinheiro quando pedem esmola nas janelas dos carros ou quando apresentam malabares.

O raio X da mendicância urbana de crianças e adolescentes foi coordenado pelo pedagogo Itamar Moreira, com o auxílio do Instituto Social Santa Lúcia e do grupo Presença Social nas Ruas, entidades conveniadas à Secretaria Municipal de Assistência Social, responsáveis por projetos de combate à mão de obra infantil. Moreira contou os casos e regiões de incidência durante todo ano passado e publicou o livro com os resultados em outubro deste ano. Dos 245 pontos revelados, 25,7% estão em Pinheiros, zona oeste; 17,1% em Santo Amaro, zona sul, e 15,1% em Santana, zona norte. Lapa, Vila Mariana, Mooca, Jabaquara, Saúde, Moema e centro são as outras regiões de maior concentração dessas crianças.

"Perto do fim de ano, o trabalho de tentar resgatar os meninos fica ainda mais complicado, porque eles ganham muito mais dinheiro nesta época", afirma Moreira. Jonathan, de 13 anos - um dos meninos atendidos pela entidade -, confirma o adicional no rendimento. Ele costuma ganhar R$ 40 por dia. Mas, entre novembro e dezembro, em abordagens de só "dois ou três carros" que passam pela Avenida Brasil (onde faz malabares), "dá para levar uns R$ 70 "contos"".

Não é o aumento da renda o único desafio do trabalho de resgate dos meninos das vias públicas, diz Moreira. "Outro complicador é que a população no geral tem resistência em enxergar esses meninos como vítimas de exploração de trabalho. Se, em vez do malabares eles estivessem com uma enxada nas mãos, a associação seria imediata. Mas como as crianças nos faróis já fazem parte do cenário dos cruzamentos, parece que ficam invisíveis."

Gabriella Bighetti, gerente de Projetos da Fundação Telefônica - que por meio do projeto Pró Menino trabalha a questão da mão de obra infantil nas metrópoles - cita outros perigos a que crianças "invisíveis" estão expostas. "Aliciamento criminoso, exposição ao uso de drogas e abuso sexual", completa. Outras vulnerabilidades são a exposição ao sol sem proteção e desidratação.

Anderson, de 16 anos, mostra sua cicatriz na perna direita como exemplo de um outro perigo dos faróis. "Foi um jipe que me pegou. Fiquei internado dois meses na Santa Casa", conta, ao citar que muitos dos seus amigos "já foram atropelados".

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74% dos pedintes frequentam escola
Meninos têm dupla jornada e reprovam por excesso de faltas; 43% vendem algo e 30% apenas pedem esmola
Fernanda Aranda

A maioria das crianças malabaristas, pedintes ou trabalhadoras presentes em cruzamentos de São Paulo pratica "dupla jornada". Segundo pesquisa do pedagogo Itamar Moreira - coordenador de projetos da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social -, 74% desses meninos intercalam as atividades na rua com a escola. "É fato também que, apesar de matriculados, muitos repetem de ano por excesso de faltas", diz Moreira. O impacto no aprendizado é direto.

Mapa localiza 30 pontos de mendicância infantil nas ruas de São Paulo

Em M"Boi Mirim, na zona sul, por exemplo, seis meninos da mesma rua "viajavam" até o centro para trabalhar todos os dias. Eles estavam no grupo etário entre 8 e 13 anos quando foram encontrados pelas equipes coordenadas por Moreira. Nenhum estava em série escolar compatível com a idade.

O levantamento foi feito em entrevistas com pais, familiares e os próprios meninos, selecionados nos 245 pontos da cidade, mapeados por Moreira e outros agentes sociais, em que há concentração de mendicância e trabalho infantil. Foram 50 entrevistas completas (crianças e família), que ajudaram a traçar o perfil da mão de obra infantil identificada nos locais.

Do total, 43% deles vendem produtos e 30% só pedem, sem "oferecer" nada em troca. A companhia da família durante o serviço é recorrente: 76% afirmam ir acompanhados para o trabalho - 35% têm a companhia dos pais. Dessa parcela, 8% têm só entre 0 e 7 anos.

Pelas definições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o fato de existir uma estrutura familiar por trás das crianças do farol faz com que os parentes ocupem a posição de abusadores da mão de obra infantil e eles podem ser indiciados criminalmente. No geral, mostrou pesquisa da economista da PUC-SP Claudia Cirino de Oliveira, o motivo prevalente para o início na jornada mirim de trabalho é a pobreza extrema. Quatro em cada dez meninas de 12 a 17 anos que trabalham no País tinham renda mensal inferior a R$ 122.

"É claro que uma série de fatores influencia nessa situação, mas a miséria é o que empurra para esse caminho, até mesmo no farol ou estradas", diz Claudia. Os especialistas lembram que muitos buscam os faróis como complemento e não como renda principal. "Quase sempre temos de fazer trabalho de conscientização com a família que, por falta de instrução, nem reconhece os malabares como problema", diz Moreira.

O último censo realizado em 2006 pela secretaria contabilizou 3,6 mil crianças em situação de trabalho infantil. Um novo dado sobre moradores de rua, que englobam informações sobre crianças e adolescentes, deve sair em 2010.

A secretaria informou que os programas de combate ao trabalho infantil são constantes, mas não há uma ação específica para este período do ano em que, apesar de não existir um estudo, há percepção de aumento do "exército" de meninos e meninas nas ruas. Em uma volta pela cidade, a reportagem encontrou três locais que são mais frequentados no período: Viaduto do Glicério; Avenida Marquês de São Vicente e Largo Ana Rosa.


Fonte:
03 de Dezembro de 2009

Sugerido por:
Marilda Duarte
Celular 11 8259 9733