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domingo, 16 de maio de 2010

Dica de leitura: A Menina da Bola Rosa


Lançado no último dia 13, o livro da autora mirim Anna Laura Jalles Vera é quase autobiográfico. A publicação encanta não só pelo que aborda, a inusitada paixão de uma menina "rosa" pelo futebol, como pelo fato de ter sido escrita por Anna Laura, de apenas 11 anos de idade, sobre os desafios que encontrou ao descobrir a afinidade com o esporte tão associado ao universo masculino.


Confira matéria sobre Anna Laura no site nominuto.com.

(foto reirada do mesmo endereço)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Alô, é a mamãe

Divulgada pela BBC Brasil, notícia destaca pesquisa americana que afirma: voz de mãe ao telefone conforta tanto quanto abraço. Baseada na observação da alteração hormonal das meninas, sujeitas a situações de estresse, ao falarem com suas mães por telefone, a pesquisa afirma que o efeito da voz seria o mesmo do acolhimento físico.
Confira a matéria no portal Terra.
Resta a pergunta: será que todas as angústias e ansiedades de uma criança se resumem a doses hormaonais?
Indicação:
Gabriela Aguiar

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Primeira Reunião do GT das Crianças de 6 anos no EF

A reunião do Grupo de Trabalho Crianças de 6 anos no Ensino Fundamental, da Rede Nacional da Primeira Infância foi realizada no último dia 20 de abril, em Brasília.


O encontro teve como objetivo contribuir para que a instrução normativa do MEC de incluir crianças de 6 anos no Ensino Fundamental seja cumprida levando em conta as características infantis e respeitando os direitos assegurados às crianças, entre os quais o direito de brincar.


O encontro contou com o apoio e a participação do MEC com a presença da Profª Rita Coelho, Coordenadora Geral de Educação Infantil - COEDI/SEB/MEC e da Profª Edna Martins Borges, Coordenadora Geral do Ensino Fundamental - COEF, além de técnicos destas coordenações e do INEP. Estiveram presentes, também, representando a UNDIME nacional, a Sra. Vivian Melcop, Secretária Executiva, e o Prof. Luiz Araújo, Consultor Educacional. A Profª Drª Catarina Moro, da UFPR, apresentou os resultados da sua tese sobre o tema. Nesta ocasião, o Prof. Vital Didonet, da Secretaria Executiva da RNPI, destacou a importância de uma ação coordenada e em estreita colaboração dos diferentes atores presentes junto ao Judiciário e ao Legislativo.


Após as apresentações e debates, o GT se reuniu para elaborar o plano de trabalho.


Veja, abaixo, mais detalhes, na súmula da reunião.


Sumula Reunião GT

sexta-feira, 19 de março de 2010

Waldorf: sem avaliação e sem chumbos

Interessante artigo, de site português (Educare.pt - clique para acessar a matéria original), sobre a metodologia e as escolas Waldorf.

Sara R. Oliveira|

Rudolf Steiner criou as escolas Waldorf em 1919, na Alemanha, dando origem a uma metodologia sem avaliação de desempenho, sem repetição de anos, que respeita as competências exclusivas de cada aluno.

"Nas escolas Waldorf não existe a desonrosa avaliação do desempenho infantil ou juvenil, segundo uma notação numérica importada do mundo industrial. Na realidade, crianças em idade escolar não têm nada a desempenhar nessa fase da vida." Raul Guerreiro, um dos primeiros professores portugueses formados segundo a pedagogia Waldorf, membro do Conselho Nacional Parental das Escolas Waldorf na Alemanha, explica que o mais importante é facilitar a descoberta da vida e remover "empecilhos" nos percursos individuais das crianças, para que assim expressem competências inatas e únicas.

A pedagogia Waldorf, criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha, defende a introdução de duas línguas estrangeiras no primeiro ano escolar, a presença da arte nas salas, trabalhos manuais, valorização de experiências sensoriais, contacto com a natureza. Um método que estimula o acto de brincar e espicaça a imaginação a partir de objectos simples. Um caminho que é feito mais no campo sensorial do que cognitivo. Raul Guerreiro refere que os alunos Waldorf têm um capital de criatividade e independência que, apesar de temporariamente desfasado da escola regular, revela-se mais tarde "como precioso para a sua moderna afirmação como indivíduo livre e socialmente útil, ao longo do seu destino profissional".

Não existe paralelismo entre a pedagogia Waldorf e o currículo oficial. "Na educação Waldorf foi abolido o escandaloso método de repetição de anos. A humilhante prática do ?chumbar' é considerada como frontalmente contrária à condição humana, pois nenhuma biografia pode ser interrompida, em estilo colapso, a fim de se repetir a vida e remeter uma criança, tal qual um produto de segunda escolha, de volta à ?linha de produção'", continua o responsável.

Não há um director e docentes hierarquicamente no patamar inferior. Nas escolas Waldorf há uma direcção colectiva composta por todos os professores e educadores da instituição. Habitualmente é constituído um parlamento escolar, um órgão consultivo, no qual se discutem as questões ligadas à vida da escola. É uma entidade jurídica independente. Rudolf Steiner preconizava que os professores tinham a missão de criar o ambiente mais adequado no qual a criança se educa a si própria. As palavras são suas: "O nosso dever é portanto criar o ambiente mais propício possível para que a criança possa educar-se junto a nós, da maneira que ela necessita segundo o seu destino interior".

Raul Guerreiro fala num "fantasma opressor do moderno mundo escolar". Num território onde, na sua opinião, as crianças são "preparadas estratégica e intelectualmente para ir mais tarde ocupar postos de trabalho". O que não acontece na pedagogia Waldorf em que, sustenta, há um "profundo respeito pelos destinos individuais de cada família e das competências exclusivas demonstradas por cada aluno". E os pais têm um papel activo e determinante, trabalhando com os professores para a "realização democrática de uma auto-administração". "Via da regra, há uma participação entusiasta e total da ala familiar para o ciclo de vida Waldorf completo, de tal modo que não se coloca a questão de uma súbita desistência dos pais, ou de uma crise de adaptação forçada do aluno ao sistema de ensino regular não Waldorf", refere.

Ao ritmo da natureza
As escolas Waldorf espalhadas pelo mundo oferecem 12 anos de escolaridade, o que não acontece em Portugal, mais um ano opcional para quem pretende concorrer ao ensino superior. "O currículo Waldorf de abrangência total orienta-se por critérios antropológico-educacionais próprios, que são um alargamento e aprofundamento radical dos anteriores conhecimentos que regiam o mundo escolar. Não se trata de qualquer currículo adaptado ou modificado a partir dos velhos esquemas tradicionais implantados por uma elite académica, ou pelos imperativos de ordem funcional ou trabalhista da actual sociedade de consumo", sublinha Raul Guerreiro.

Neste momento, há mais de mil escolas Waldorf e perto de dois mil jardins-de-infância. Em Portugal, não chegam aos dedos de uma mão e a pedagogia alternativa começou a ser implementada em 1984. Dois jardins-de-infância em Alfragide e em Sintra, uma escola de educação especial em Seia e a Escola Livre do Algarve, no concelho de Vila do Bispo, regem-se por esta metodologia. São escolas que garantem que não são contrárias ao mundo moderno ou à tecnologia, mas que fazem questão de conhecer em detalhe "as fases correctas da psique infantil", no sentido de uma "saudável introdução gradual das crianças às realidades dos nossos tempos".

No jardim-de-infância São Jorge, em Alfragide, crianças dos 4 aos 6 anos, brincam com objectos poucos elaborados. Brincam livremente, brincam com pedras e conchas, por exemplo. Vinte vagas, 20 crianças. Paula Martinez, responsável pela instituição, assegura que as crianças estão na escola como se estivessem em casa. "As actividades são muito simples e não há notas", adianta.

Os adultos proporcionam o ambiente, respeitam o ritmo de cada criança e a criatividade é um aspecto que acaba por surgir naturalmente. "Os educadores preparam o ambiente para estimular essa criatividade, para que as crianças sejam mais livres e mais criativas." Paula Martinez garante que os mais pequenos integram-se "muito bem" quando passam para o ensino regular. "São crianças que estão muito bem com a vida e que brincam. Estão preparadas para ir para a escola e não gastaram as energias para as quais não tinham capacidade plena", sublinha.

Respeito pelo ritmo de cada um. O processo de desenvolvimento é mais valorizado do que o processo educativo. Não há planos curriculares. A Pé de Romã - Associação para Iniciativas Waldorf, em Sintra, permeia as brincadeiras com actividades artísticas e trabalhos manuais. Dezassete crianças, dos 2 aos 6 anos, fabricam pão, praticam jardinagem, ouvem contos, manipulam marionetas. Os brinquedos são simples, feitos de materiais naturais como madeira, cortiça ou conchas. No exterior, no jardim, penduram-se cordas nas árvores, constroem-se baloiços. Os pais das crianças estão presentes nas festas de aniversário e em várias iniciativas marcadas no calendário.

"Desenvolvemos actividades mais ligadas ao ritmo da natureza ou actividades domésticas", adianta Catarina Melo, da Pé de Romã. E os pais são chamados a participar em diversos momentos. Trabalham na horta, constroem estruturas no jardim. "Precisamos de mãos que nos ajudem." O plano Waldorf passa por dar às crianças as verdadeiras bases para toda a vida. "Se não forem dadas no momento certo, na primeira infância, é mais difícil de serem recuperadas." As crianças sentem dificuldades de adaptação quando passam para o 1.º ciclo? Depende da criança, do professor, da própria fase de adaptação. Uma coisa é certa, os alunos da Pedagogia Waldorf não entram no ensino primário a fazerem cálculos ou a escreverem frases inteiras. Entram "com outras ferramentas e outros recursos". Instrumentos e competências para a vida.



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Experiências comunitárias mostram que palmada não resolve

*Texto enviado por Tamara Gonçalves. Confira na página do Mercado Ético.

Por Lea Cunha e Maíra Streitm, da ANDI

Como as crianças se sentem quando são castigadas fisicamente com tapas, puxão de orelha, chineladas e outros meios? O que se passa com elas quando ficam presas em quartos escuros ou são humilhadas? Elas são capazes de entender por que os pais as agridem (mesmo quando dizem bater para educar)?

Um estudo realizado pelo Instituto Promundo (organização não governamental brasileira que funciona há doze anos no Rio de Janeiro) ouviu pais e crianças em três comunidades cariocas para compreender melhor como eles veem o fenômeno dos castigos físicos e humilhantes. O trabalho, intitulado Crianças Sujeitos de Direitos, envolveu, ao todo, 65 crianças e adolescentes e 600 pais, mães e cuidadores de crianças.

Como parte do mesmo estudo, foram promovidos 45 encontros de sensibilização e uma campanha comunitária com o objetivo de modificar as práticas da educação infantil por parte das famílias e reduzir atitudes e comportamentos de violência intrafamiliar. Além disso, o projeto desenvolvido pelo Instituto pretendia identificar que estratégias teriam sucesso na promoção desses relacionamentos mais harmoniosos e não violentos para a erradicação do castigo físico contra a criança e promoção do desenvolvimento infantil no âmbito familiar.

Raio-X dos Castigos Físicos
Os piores métodos de castigo apontados pelas crianças foram a palmada no braço; ficar de castigo no banheiro; ficar de castigo no quarto; tapa na cabeça; paulada; puxão de orelha e chinelada. A maioria delas admitiu sentir medo, tristeza e raiva quando sujeitadas à punição física ou humilhante. Relatos dos especialistas que participaram do processo apontam que o tema levantou sentimentos muito fortes. Foram constatadas sensações de tristeza, infelicidade, depressão e, principalmente, dor e raiva quando os pais utilizam castigos físicos e humilhantes. Os depoimentos também apontam que as crianças sentem rejeição, menosprezo e marginalização. Elas relataram humilhação e impotência pelo fato de não poderem revidar o que foi sofrido.

Meninos e meninas ouvidos na pesquisa também disseram ficar muito ressentidos nos momentos em que sentem que seus pais não os escutam nem levam seus desejos em consideração. Muitos descreveram tentativas desesperadas de tentar se fazer ouvir pelos adultos. Há também uma carência por mais demonstrações de afeto e uma escuta atenta por parte de pai e mãe.

A mãe foi a pessoa que apareceu com maior frequência nos depoimentos das crianças como a aplicadora de castigos, principalmente os físicos, seguida dos irmãos e tios. O estudo aponta que isso se deve, provavelmente, ao fato de que elas passam mais tempo com seus filhos do que os demais.

Quando as crianças foram indagadas diretamente sobre as alternativas que seus pais poderiam usar para discipliná-las ao invés de utilizarem castigos físicos e humilhantes, a única possibilidade levantada foi que elas não repetissem o comportamento que desagradou seus pais, talvez porque o uso do castigo físico já seja legitimado e internalizado como correto. O castigo físico, quando aplicado por um longo período, não surte mais o efeito desejado pelos adultos, ou seja, o comportamento infantil indesejado segue acontecendo. O que as crianças afirmam é que não lembram o motivo pelo qual foram castigadas.

Ouvindo pais e mães
Os pais e mães ouvidos na pesquisa acreditam que estão batendo para educar, mas se esquecem que estão utilizando a mesma justificativa para conter ou punir a violência das crianças quando estas apresentam comportamento agressivo. Isso foi observado em um grupo de crianças que relatou apanhar após baterem nos seus irmãos. As declarações indicam que os pequenos reproduzem o comportamento violento dos seus pais. A chamada “transmissão geracional da violência” foi uma hipótese bastante considerada, pois algumas crianças, em seus discursos, afirmam que educarão seus filhos com violência, como seus pais. Essa contribuição negativa reforça a ideia de que a violência é um método educacional aceitável e a constante exposição à agressão faz com que os pequenos recorram mais facilmente a ela no trato com as outras pessoas.

Durante o trabalho nas três comunidades cariocas (Pedra de Guaratiba, Cantagalo e Cancela Preta), os pais, ao serem indagados sobre em quais momentos a criança merecia apanhar, responderam, em sua maioria (cerca de 80%), a falta de respeito às ordens dos adultos. Cerca de 63% dos entrevistados afirmaram também que “crianças de que não apanham ficam sem limites”.

Mudança de comportamento
As oficinas com pais e cuidadores discutiram temas como direitos infanto-juvenis e relações familiares. Antes e depois das oficinas foram aplicados questionários sobre o conteúdo difundido. A intenção era perceber se durante a troca de experiências foi assimilada a defesa pelo fim dos castigos físicos e tratamento humilhante. Antes do projeto, por exemplo, cerca de 62% dos pais nunca haviam ouvido falar sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O índice de pais que achavam que as crianças têm direito de discordar aumentou de 44% para 55%. E aqueles que afirmavam que crianças que não apanham ficam sem limites caiu para 28%.

Na avaliação sobre os impactos das oficinas, o Instituto Promundo aponta que os pais que veem suas crianças como “pessoas com direitos” são menos propensos a usar punição física. Apesar de existirem relatos de crianças que não concordam com os castigos recebidos, a cultura brasileira, com base na escravidão, reforça a dinâmica de que a força pode disciplinar alguém que tenha menos poder e força física ou esteja em condição de dependência. A herança escravocrata é visível no atual discurso infantil, onde os pequenos afirmam que compreendem e justificam a educação violenta que recebem. Essa educação perpetua o ciclo da violência, pois as crianças acabam aprendendo que a violência é um meio justificável para a resolução de seus problemas.

As principais questões levantadas pela pesquisa foram: Como promover uma educação sem violência contra crianças e estimular a sua participação no ambiente familiar? Como medir mudanças de atitudes dos cuidadores em relação às crianças? Quanto tais mudanças reduzem o uso dos castigos físicos e humilhantes contra crianças?

Dentre as lições aprendidas foi ressaltado que filho é sim assunto de homem; que castigo físico e humilhante está totalmente naturalizado e incorporado no cotidiano das famílias e há dificuldade em reconhecer tais atos como violência. Foi dito pelos grupos que existe necessidade das cuidadoras terem um espaço de escuta e compartilhamento de sentimentos com os pais sobre o dia-a-dia com os filhos deles; que falta bases de apoio na criação dos filhos. Concordaram que o ciclo da violência no espaço da casa é reproduzido e que é importante ouvir e conhecer experiências positivas de educação dos filhos.

Rede Não Bata, Eduque
Desde 2005, a Rede Não Bata, Eduque - formada por instituições e pessoas físicas - procura gerar o debate sobre o fim dos castigos físicos e o tratamento humilhante de crianças e adolescentes no Brasil. Para isso, a Rede trabalha na promoção de advocacy político e social do tema, a fim de que a medida se torne lei, ou seja, para que se tornem oficialmente proibidas manifestações defendidas como de caráter “educativo” como palmadas, puxões de orelhas, pancadas e situações humilhantes contra meninos e meninas. Para conseguir seu objetivo, além de um trabalho junto a deputados, senadores e atores sociais, a Rede promove seminários, palestras e atividades em comunidades para despertar o interesse pela discussão e pelo combate a essas práticas.

Experiências exitosas
A Rede Não Bata, Eduque, em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), realizou, em 2008, um concurso com o objetivo de selecionar as melhores iniciativas na prática de educação positiva, baseada no diálogo e em métodos educacionais que não utilizam castigos físicos e humilhantes. Foram 32 instituições inscritas, de norte a sul do país. Destas, quatro foram premiadas.

O projeto Brincando com a realidade - Grupo de crianças vítimas de violência doméstica conquistou o primeiro lugar. O programa foi criado em 2007 no Centro Educacional Prefeito Luis Adelar Soldatelli, na cidade de Rio do Sul (SC), pela psicóloga Mariane Steffen e a assistente social Francinês Swib, após perceberem na escola um número significativo de casos de vítimas de violência. Os professores, então, passaram a receber palestras de como identificar a agressão por sinais físicos e comportamentais apresentados pelos alunos. A partir daí, as crianças são acolhidas em grupos que propõem a troca de experiências e a livre expressão de sentimentos, com atividades de relaxamento, músicas, vídeos, conversas e jogos pedagógicos. “Podemos perceber os resultados pela diminuição dos casos reincidentes, a melhoria na relação familiar e a motivação dos alunos para irem aos encontros”, afirma Mariane.

A Campanha pelos bons tratos com crianças e adolescentes, promovida pelo Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social, ficou em segundo lugar no concurso. A cada ano, o grupo de Recife (PE), elabora atividades diferentes que chamem atenção para a causa. Já houve panfletagem, distribuição de material informativo e rodas de leitura. Mas a repercussão da campanha veio com a personagem Florisbela Sorriso, heroína de histórias em quadrinhos criada para informar a população sobre a necessidade de combater atitudes de violência e disseminar a cultura de paz.

A Secretaria Municipal de Saúde do município de Canoas, Rio Grande do Sul, conseguiu o terceiro lugar com o Serviço especializado no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência (SACAV). Há doze anos, o sistema recebe denúncias de violência de escolas, emergências de hospitais, fóruns e conselhos tutelares. Após o registro das ocorrências, as vítimas têm acompanhamento constante de psicólogas e psiquiatras e os pais são conduzidos a assistentes sociais.

O programa Educar sem violência: prevenção da violência física familiar contra crianças do Instituto Dom Fernando, da Universidade Católica de Goiás, dividiu com o SACAV o terceiro lugar. Nele, são atendidas trinta famílias, com visitas domiciliares realizadas por uma psicóloga e uma estagiária. Elas promovem o diálogo entre pais, mães, avós, tios e tias e estimulam as crianças e adolescentes a falarem sobre o que pensam da educação que recebem. Assim, as pessoas refletem sobre seu modo de agir e procuram estratégias pedagógicas para evitar o uso da violência.

Publicado por:
Lea Cunha e Maíra Streitm, da ANDI
Site: Mercado Ético
Em 02/2/2010

Enviado por:
Tamara Gonçalves
Projeto Criança e Consumo - Instituto Alana
Tel: +55 11 3472-1608
tamara@alana.org.br

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Corrida das crianças para a internet desafia companhias

*Texto enviado por Tamara Gonçalves. Confira na página do Valor Online.

Cenário: No Brasil, cerca de 4 milhões de pessoas com idade entre 2 e 11 anos já navegam pela rede

André Borges, de São Paulo
01/02/2010

João Gabriel acabou de completar três anos. Adora jogar bola, é fã de carteirinha dos desenhos do "Ben 10" e não troca por nada as estripulias da "Turma do Cocoricó". O pequeno Gabriel ainda não sabe falar direito, mas já aprendeu a dizer algumas palavras mágicas quando resolve assistir desenhos e ouvir música: "Tube, papai, tube", diz o garoto, apontando para o computador. O pai liga o PC e acessa o site de vídeos YouTube. É uma festa só.

O menino João Gabriel não é uma exceção. Sua desenvoltura com o mundo da internet é o exemplo típico de um comportamento que ganhou milhares de adeptos nos últimos anos e não para de crescer. A pedido do Valor, o Ibope Nielsen fez um levantamento sobre essa corrida das crianças para a internet em todo o país. Foram consideradas apenas aquelas com idade entre 2 e 11 anos.

Em dezembro, das 28,5 milhões de pessoas que navegaram na internet a partir de suas casas, nada menos que 14% - quase 4 milhões de pessoas - eram crianças. Há dez anos, as crianças eram apenas 6% da audiência total da internet residencial. O volume é representativo, dado que, segundo levantamento populacional de 2008 realizado pelo IBGE, há 33,5 milhões de crianças no país com idade entre 2 e 11 anos.

Para os analistas, a explicação por trás desses números passa pela crescente popularização da internet, a redução no preço dos computadores e o desejo dos pais de levar o computador para os filhos.

Mas o que, afinal, essa meninada está fazendo na internet? Os sites de jogos, desenhos e histórias infantis são, tradicionalmente, os líderes de audiência. Hoje, 15% das visitas a sites de jogos - um dos serviços mais procurados na web - são feitas por crianças. Um olhar mais atento, porém, revela que os pequenos também têm outros talentos na hora de navegar. As crianças, principalmente as meninas, diz José Calazans, analista de mídia do Ibope Nielsen, estão cada vez mais interessadas em se comunicar pela rede. "O PC tem se transformado em uma ferramenta de socialização para as crianças", diz. No Orkut, uma das redes sociais mais populares da internet, a criançada já representa 10% das visitas. De cada dez usuários do sistema de troca de mensagens Messenger (MSN), um tem até 11 anos de idade.

Aos poucos, as empresas começam a dar mais atenção para essa audiência. No ano passado, a fabricante de brinquedos Estrela decidiu testar, pela primeira vez, uma estratégia de comunicação para a internet. A companhia injetou R$ 1 milhão em campanhas publicitárias e espalhou anúncios de brinquedos em canais infantis de portais como iG, Terra e UOL. Também investiu nos links patrocinados que acompanham os resultados de busca do Google. "Foi um surpresa para nós. Em apenas seis meses, alcançamos a marca de 7 milhões de cliques", diz Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela.

Para este ano, a fabricante de brinquedos decidiu renovar todo o seu site, que recebe cerca de 90 mil visitas por mês. "Teremos um conteúdo ainda mais interativo. Além disso, ampliaremos a verba de propaganda para a internet."

No UOL, o momento também é de reformulação do canal "Crianças". O novo site estreia em maio. No último trimestre do ano passado, o UOL Crianças registrou 101,7 milhões de páginas visitadas. "Tivemos um crescimento de 138% sobre o terceiro trimestre", diz Manoela Pereira, gerente geral de entretenimento do portal. "Apenas em dezembro, o canal recebeu 392 mil visitantes únicos."

Companhias como os estúdios Disney já mostraram que a brincadeira on-line também é assunto de gente grande. Em 2007, a The Walt Disney Company pagou US$ 350 milhões pelo "Club Penguin". O site, que cria um mundo virtual infantil, é hoje um dos mais acessados pela criançada no Brasil.

Por enquanto, não há notícias de que crianças estão fazendo compras na web, mas isso não significa que elas não estejam, pelo menos, passeando pelos sites de comércio eletrônico. Das quase 4 milhões de crianças que navegaram pela internet em dezembro, mais de 50% - 2 milhões de crianças - visitaram páginas de ao menos uma loja virtual. "É claro que elas não estão ali para comprar algo, mas de alguma forma elas estão chegando até esses sites", diz José Calazans, do Ibope. Boa parte dessa audiência é resultado de buscas por informações de brinquedos ou personagens de desenhos animados. Um estudo recente feito pela consultoria americana Mediamark Research apontou que, nos Estados Unidos, 46,3% das crianças com idade entre 6 e 11 anos estão usando a internet para conferir os produtos que veem na publicidade impressa ou na TV.

Para o cartunista Mauricio de Sousa, a internet "abriu um mundo de novas possibilidades" para se relacionar com as crianças. O criador da "Turma da Mônica" acaba de contratar uma empresa para reformular o site da Turma. "Fizemos um site básico no passado, sem interatividade, mas quando vimos, já estávamos com mais de 20 mil páginas vistas por mês", diz.

O novo site, segundo Mauricio, terá a participação de um investidor externo. Hoje, as páginas eletrônicas da Turma da Mônica trazem algumas tirinhas, desenhos e jogos. Mauricio, que já aderiu ao Twitter e hoje tem 74 mil "seguidores", diz que a nova versão deverá incluir a publicação integral de alguns gibis, além de novas famílias de personagens e até uma área de conteúdo pago.

Ao renovarem seus sites e experimentarem diferentes conteúdos, as empresas do mundo infantil tentam acertar qual é a melhor forma de ocupar seu espaço na internet. "As crianças já estão lá, mas nós ainda estamos aprendendo a como lidar com esse fenômeno", diz Aires Leal Fernandes, da Brinquedos Estrela.

Foi como brincadeira que o "Divertudo" estreou na internet em 1999, diz Evelyn Heine, diretora de conteúdo do site. "No começo era só um hobby, não ganhávamos nada para fazer o site." Hoje o Divertudo recebe 150 mil visitantes únicos por mês, com 1 milhão de páginas vistas. Com a abertura de espaço para anúncios do Google e do Submarino, o site começou a receber uma comissão pelas transações iniciadas em suas páginas. "A brincadeira ficou séria", diz Evelyn. "Já começamos a ter lucro."

Publicado por:
Valor Online
Link:http://www.valoronline.com.br/?impresso/tecnologia_&_telecomunicacoes/277/6080373/corrida-das-criancas-para-a-internet-desafia-companhias
Em 01/2/2010

Enviado por:
Tamara Gonçalves
Projeto Criança e Consumo - Instituto Alana
Tel: +55 11 3472-1608
tamara@alana.org.br

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Brincar é coisa séria

*Texto enviado por Marilda Duarte. Confira na página do SESC SP.

Falta de segurança, novas tecnologias, a vida atribulada das grandes cidades e longa jornada de trabalho dos pais são alguns dos fatores que influenciam as atividades lúdicas das crianças do século 21

Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, e a participar de atividades de jogo e recreação, apropriadas à sua idade, bem como à participação na vida cultural e das artes. O conteúdo acima, exposto no artigo 31 da Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), é bem claro: toda criança tem o direito de brincar. Seja em casa ou na escola, ela pode e deve ser livre para mergulhar em sua imaginação. No entanto, nem todos têm essa percepção. Muitos pais e professores ainda interpretam as brincadeiras, fundamentais para o desenvolvimento infantil, apenas como diversão. “A brincadeira é a linguagem da criança”, diz Marilena Flores, presidente da Associação Brasileira Pelo Direito de Brincar (IPA/Brasil). “É o meio pelo qual ela se relaciona com o mundo.”

É por meio dessa relação lúdica que a criança aprende, fortalece o corpo, exercita a coordenação motora e adquire habilidades úteis para toda a vida. Segundo a pesquisadora de cultura da infância Lucilene Silva, pular corda, por exemplo, pode ser um ótimo exercício de coragem. “Primeiro a gente observa o ritmo, e depois se encoraja a entrar”, diz. “Pula duas, três, vinte vezes, até que começa a pular agachado e de um pé só. Tudo isso é uma preparação para os desafios que vamos enfrentar.” A especialista explica ainda que em brincadeiras coletivas, como uma partida de futebol, os pequenos aprendem a conviver com os colegas e a colaborar com eles. Entendem que, se não seguirem as regras, ficarão de fora do jogo e que o trabalho depende do grupo, e não só de uma pessoa. “Quando brincam com outras crianças, eles discutem e negociam”, analisa. “Decidem quem joga primeiro, quais são as regras e as punições para quem perder. Um grande exercício de socialização.”

Mesmo quando as brincadeiras acabam em choro, raiva ou desentendimento, são experiências positivas para as crianças, pois elas põem para fora sentimentos com os quais estão aprendendo a lidar. “Quando você tem uma perda, o melhor é chorar para se livrar da sensação ruim”, retoma Marilena Flores. “Não devemos guardá-la.”

Brincar nada mais é do que experimentar. É testar objetos e texturas, tocar, cheirar, mexer, bagunçar, imaginar. Tudo isso é um processo de aprendizagem que, segundo o livre-docente em cultura e educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Ferreira Santos, é extremamente importante para o ser humano, e não se limita à infância. “No laboratório, por exemplo, os cientistas trabalham com ensaios, acertos e erros”, diz o professor. “É também um mundo de brincadeiras que, obviamente, são registradas”, diz. Tal conceito é fundamental para transformar a ideia de que a atividade lúdica é secundária e dar a ela a sua devida importância. “É preciso acabar com essa relação de parar de brincar para fazer coisa séria”, diz a pesquisadora de brinquedos e brincadeiras infantis, Renata Meirelles. “Brincar é muito sério.”


Aprender a brincar
A longa jornada de trabalho dos pais, a violência dos grandes centros urbanos e o advento das novas tecnologias afetaram o modo de brincar das crianças. Sem poder ficar na rua por falta de segurança, elas permanecem muito tempo dentro de casa – muitas vezes pequenos apartamentos –, com um espaço limitado para atividades lúdicas. Uma das principais consequências é a falta de contato com a natureza, essencial para o desenvolvimento. “Ao ar livre, a criança se desenvolve fisicamente quando ela corre, sobe em árvore, pisa na terra, brinca com água”, diz Marilena Flores. “Em casa, é mais difícil.” Já com a falta de tempo dos pais, algumas brincadeiras vão sendo cada vez menos lembradas. É o caso das cantigas de roda, tradicionalmente passadas de uma geração para a outra. “Quando a mãe estava mais presente ou a criança brincava na rua, ela tinha um repertório maior de brincadeiras”, diz a pesquisadora Lucilene Silva, que trabalha com o registro de brincadeiras e a divulgação de cantigas de roda tradicionais. “Isso acontece em menor escala nas cidades do interior, onde a troca de experiências ainda é maior.”


Tecnologia na medida
A televisão e os jogos eletrônicos, como tudo, podem ser prejudiciais se usados em excesso. “Esses brinquedos não permitem a criação, a elaboração do personagem, como acontece quando a menina brinca de boneca ou quando ouve uma história”, diz Lucilene.

Apesar de muitos não poderem alterar sua rotina de trabalho, não terem como morar em uma casa com um grande quintal ou tirar o videogame de circulação, os pais podem melhorar muito a qualidade do brincar dos pequenos com medidas simples. “A primeira coisa é retomar a sua própria infância”, diz Lucilene. “Lembrar do que brincava, do que mais gostava e pensar no que a criança precisa também.” Para compensar a falta de espaço, os pais devem levar os filhos para brincar em áreas ao ar livre e, de preferência, com natureza abundante. Seja o playground do prédio, parque público ou clube. Mesmo dentro de casa, o ambiente pode ficar bem mais convidativo se for complementado com elementos naturais, como um canteiro de pedras ou um jardim que possa ser usado à vontade. “Essa relação de exploração do espaço é importante para o desenvolvimento da criança”, diz a especialista em brinquedos e brincadeiras Renata Meirelles.

O videogame e o computador não precisam ser banidos, mas devem ser usados com moderação, e não nas doses que as crianças exigirem. Além do controle, brinquedos eletrônicos – sempre tão atrativos – devem ser dados às crianças mais velhas, com capacidade de compreensão maior, e evitados na primeira infância. “Quanto mais cedo elas se envolverem com esses recursos, maior a chance de elas se afastarem das brincadeiras com contato corporal”, afirma Renata.


Todo mundo junto
Além de acompanhar, estimular e dar condições para a brincadeira, os pais devem participar delas. “Quando a mãe brinca junto, a criança se sente totalmente aceita”, diz Marilena. “O compartilhamento desse momento de alegria ajuda a desenvolver a autoconfiança.” Ou mesmo quando não tiverem como parar para brincar, os pais podem – e devem – deixar as crianças se envolverem em atividades manuais, como cozinhar e jardinagem. “O adulto é uma referência importante”, complementa Renata. “Não precisa ficar de fora, pode fazer atividades junto com os filhos.”

A escolha do brinquedo também é muito importante. Especialistas são unânimes em lembrar que os mais simples, como um jogo de empilhar, um pião e até um simples galho de árvore, são os que proporcionam experiências mais interessantes, pois exercitam muito a imaginação da criança. Mesmo que a loja de brinquedos ofereça pista de corrida e o posto de gasolina para quem quer brincar de carrinho, é interessante deixar que os pequenos construam seu próprio universo. “O mercado de brinquedos sempre antecipa a necessidade das crianças, mas não é isso que eles precisam”, garante Renata. A quantidade de brinquedos e o seu grau de sofisticação não têm nada a ver com a qualidade da brincadeira. Pelo contrário. Muitos bonecos, carrinhos e jogos entulhados em um quarto pequeno podem ser sufocantes. E, muitas vezes, os melhores brinquedos são tão simples que nem precisam ser comprados. “Quando a criança transforma a panela em um carro, é um processo muito mais criativo”, continua Renata. A pesquisadora, que estudou brincadeiras em áreas rurais, conta que, em alguns locais onde os brinquedos industrializados são raros, as crianças se divertem muito com objetos encontrados na natureza, como pequenos galhos e terra. “Essa interação com a natureza é muito saudável e faz parte da cultura da infância.”

Fonte:
Revista SESC SP
n. 152
Janeiro de 2010

Sugerido por:
Marilda Duarte
www.textoseideias.com.br
Celular 11 8259 9733

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O papel da cultura no desenvolvimento da cognição

*Texto enviado por Neilza Costa. Confira na página da Revista Mente e Cérebro.

Crianças que vivem distantes das facilidades tecnológicas tendem a apresentar habilidades sociais, como a tolerância

Até que ponto o ambiente, as crenças e os valores culturais influenciam a inteligência infantil?

A questão foi investigada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside, em um estudo com crianças de 3 a 9 anos de quatro países mais pobres: Belize, Quênia,
Nepal e o território Samoa Americana, que vivem em comunidades tradicionais, distantes das facilidades da tecnologia. Elas foram comparadas a pequenos voluntários, da mesma faixa etária, acostumados ao estilo de vida ocidental moderno (eletricidade, automóveis, televisão, internet etc.).

Os resultados mostraram cientificamente aquilo de que os cientistas, interessados em obter pistas importantes sobre as consequências psicológicas da globalização, já desconfiavam: cada cultura estimula o desenvolvimento das habilidades cognitivas que mais valoriza. Mas não foram constatadas diferenças significativas da capacidade -aos recursos tecnológicos se saíram em comunidades tradicionais exibiram de intelectual entre os participantes melhor em alguns tipos de testes de habilidades sociais, como a tolerância, do estudo. As crianças mais expostas aos recursos tecnológicos se saíram melhor em alguns tipos de memória e cálculo. Já as que viviam em comunidades tradicionais exibiram habilidades sociais, como a tolerância, mais bem desenvolvidas.

Autoria:
Revista Mente e Cérebro.

Sugerido por:
Neilza A Buarque Costa
Gerente da Unidade de Programas do Cabo de Santo Agostinho - Brasil
Estrada da Batalha, 1200/38 Módulo 01 - Prazeres
Jaboatão dos Guararapes - PE CEP 54315-570
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